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Investimentos verdes no Brasil: Como está o apetite de 5 grandes bancos para 2026

Passados os eventos da 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e as discussões mais acaloradas sobre financiamento climático, as instituições financeiras devem manter posição relevante no mercado para viabilizar a transição mais rápida para uma economia de baixo carbono no Brasil, seja disponibilizando linhas de crédito atreladas à sustentabilidade, seja emitindo títulos verdes.

Ao Estadão, cinco grandes bancos em atuação no País: Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Citi Brasil indicam um cenário de continuidade de ofertas de instrumentos de financiamento sustentável em 2026, além da possibilidade de ampliação do portfólio de investimentos neste ano.

As instituições financeiras citam foco em setores estratégicos como energia, mobilidade e agricultura.

Itaú

O Itaú prevê para 2026 a manutenção e a ampliação de instrumentos financeiros sustentáveis para apoiar clientes em diferentes estágios de maturidade em práticas ESG, diz a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da companhia, Luciana Nicola.

No agronegócio, por exemplo, a perspectiva é seguir com a prateleira ESG Agro, que reúne modalidades voltadas a bioinsumos, certificações e energia solar, e que já mobilizou mais de R$ 5 bilhões em produtos ESG.

Segue também a estruturação de títulos de dívida ESG, com o apoio aos clientes na emissão de green bonds e sustainability-linked bonds (títulos verdes), além do desenvolvimento de operações de crédito aplicadas a diferentes produtos, como capital de giro, risco sacado e Nota de Crédito à Exportação (NCE).

“De forma transversal, o banco vai manter diálogo ativo com clientes, entidades setoriais, fóruns institucionais, bem como o investimento contínuo em inovação financeira, como instrumentos para estimular práticas sustentáveis, apoiar a adaptação dos modelos de negócio e contribuir para o cumprimento do compromisso de mobilizar R$ 1 trilhão em finanças sustentáveis até 2030, do qual R$ 522 bilhões já foram alcançados”, ressalta Nicola.

Para a executiva, as mudanças climáticas já estão impactando diretamente a gestão de riscos e a competitividade das cadeias produtivas, por isso a agenda ESG é estratégica neste ano para o desempenho de longo prazo dos negócios. “O setor financeiro desempenha papel crucial ao oferecer instrumentos que viabilizam a adoção de práticas sustentáveis, para garantir consistência técnica e viabilidade econômica (à transição sustentável).”

Banco do Brasil

No Banco do Brasil, o “investidor varejo” (investidor individual) conta em 2026 com ao menos 10 estratégias de fundos ESG, diz a empresa ao Estadão. O banco afirma que, de forma contínua, avalia a ampliação de sua prateleira de produtos relacionados a investimentos verdes, analisando oportunidades em emissões sustentáveis, financiamentos atrelados a desempenho socioambiental e linhas de crédito voltadas para energia renovável, infraestrutura verde e projetos de impacto.

Nesse sentido, para 2026, diz que “a estratégia do banco permanece orientada pela oferta de soluções competitivas e transparentes, que contribuam para o desenvolvimento sustentável e auxiliem o investidor na construção de carteiras diversificadas e alinhadas aos princípios ambientais, sociais e de governança.”

Por meio da BB Asset, a instituição lançou recentemente um fundo voltado para minerais críticos, com o objetivo de apoiar a transição energética global, direcionando recursos para minerais essenciais como cobre, níquel e lítio. “A iniciativa amplia as oportunidades para investidores que buscam retorno financeiro aliado à agenda de descarbonização”, diz em nota.

Entre outras frentes, continuará sendo disponibilizado ao investidor soluções diversas como financiamento para veículos híbridos e elétricos, para pessoas físicas, além do financiamento de atividades, como produção de biocombustíveis, estímulo à mobilidade sustentável, ampliação de redes de tratamento e distribuição de água e esgoto, para pessoas jurídicas.

O Banco do Brasil cita também a manutenção de compromissos de longo prazo (para 2030) focados em investimentos sustentáveis: R$ 500 bilhões em saldo da Carteira de Crédito Sustentável; R$ 200 bilhões em agricultura sustentável; R$ 30 bilhões em energia renovável; R$ 5 bilhões em bioeconomia; R$ 100 bilhões em recursos sustentáveis captados, entre outros.

Bradesco

No caso do Bradesco, a instituição afirma que, neste ano, vai seguir com o compromisso de impulsionar iniciativas sustentáveis, ampliando e aprimorando instrumentos financeiros vinculados a critérios ESG. Uma das principais frentes está na atuação dentro do mercado de capitais, com a estruturação de títulos e empréstimos rotulados (green e sustainability linked), alinhados ao quadro de finanças sustentáveis do banco.

A companhia também enumera produtos e linhas de crédito verdes que devem permanecer neste ano, como financiamento para energia solar e mobilidade de baixa emissão, além de crédito voltado para energia renovável, saneamento e água, mobilidade sustentável, agricultura de baixo carbono e gestão de resíduos, entre outros setores.

“A sustentabilidade é parte essencial da nossa estratégia de negócios”, afirma em nota ao Estadão. “Nosso foco é gerar impacto socioambiental positivo e mensurável, combinando estruturação financeira com transparência, em linha com a estratégia de sustentabilidade do Bradesco.”

Santander

O apoio do Eco Invest, programa do governo federal para financiamento de projetos sustentáveis, também é destacado pelas instituições financeiras como um aliado dos bancos para os investimentos verdes de 2026. No ano passado, a iniciativa destinou R$14 bilhões em recursos para esse fim.

A execução do programa é citada pela gestora Esther Unzueta Dominguez como uma das frentes à mira do Santander neste ano. Ela é diretora de Finanças Sustentáveis do banco.

“O foco do Santander continuará sendo o financiamento da transição climática por meio de operações de mercado e project finance, mantendo nossa liderança nessas áreas, especialmente nas de energias renováveis, infraestrutura e saneamento. A execução do programa Eco Invest será (também) outra frente de atuação relevante, viabilizando projetos alinhados às diretrizes de blended finance do Tesouro Nacional. E outra frente importante (será) o apoio a projetos financiados pelo Fundo Clima do BNDES.”

Citi Brasil

“O mercado brasileiro de investimentos verdes tem amadurecido rapidamente e ganhado tração”, avalia o presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon. “Vemos apetite para continuidade das emissões de títulos verdes e sociais e também de títulos e empréstimos associados a metas (de ESG), conhecidos no mercado como sustainability-linked bonds e loans.”

O executivo também cita ganho de espaço dos instrumentos de blended finance (financiamento público e privado) e de produtos personalizados neste ano. “(No Citi Brasil), vamos continuar a customizar nossos produtos às demandas particulares dos clientes, como é o caso do Sustainable Supply Chain Finance, que integra aspectos sociais, ambientais e climáticos ao financiamento de fornecedores na cadeia de suprimentos.”

Estadão Conteudo

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