O Brasil enfrenta um crescimento silencioso, porém perigoso, nos corredores dos hospitais. Segundo dados do DataSUS, as internações decorrentes de ataques de cães subiram 43,41% em apenas três anos. O salto de 949 hospitalizações (2020) para 1.361 (2023) reflete não apenas o aumento de animais nas ruas, mas uma falha sistêmica na guarda responsável.
O Cenário de Risco
Episódios no Distrito Federal, como os ataques de matilhas no Guará II, ilustram a gravidade do problema. A combinação de abandono, falta de castração e crescimento urbano desordenado cria um ambiente propício para a formação de grupos de cães ferais ou semidomiciliados que, por instinto territorial ou fome, acabam vitimando os elos mais frágeis da sociedade: idosos e crianças.
“A situação demanda resposta imediata. Não se trata apenas de segurança, mas também de saúde pública”, alerta a Profa. Fabiana Volkweis (CEUB).
Protocolo de Reação e Prevenção
A forma como o ser humano interage com um cão solto pode ditar o desfecho da situação. Especialistas reforçam que o instinto de perseguição do animal é estimulado pelo movimento e pelo som alto.
- Ao se deparar com um cão: Mantenha a calma, não grite e evite encarar o animal fixamente (o que é lido como desafio). Afaste-se lentamente, sem dar as costas.
- Em caso de aproximação: Use objetos (bolsas, guarda-chuvas) como escudo e proteja áreas vitais como rosto e pescoço.
- Pós-ataque: A lavagem exaustiva com água e sabão é o primeiro passo obrigatório antes de buscar o pronto-socorro para vacinas (antirrábica/antitetânica) e antibióticos.
O Peso da Lei
É fundamental que a sociedade compreenda que o dono de um animal é o garantidor de sua conduta. Deixar um cão solto, além de ser um ato de crueldade contra o próprio bicho (exposição a doenças e atropelamentos), configura negligência. O tutor pode ser acionado civilmente para arcar com despesas médicas e danos morais, além de responder criminalmente pela omissão de cautela na guarda de animais perigosos.
A conscientização coletiva e o rigor na fiscalização pelos órgãos de Vigilância Ambiental são os únicos caminhos para reverter essa curva estatística que, infelizmente, continua em ascensão.


