Três integrantes de uma facção criminosa foram condenados pelo Tribunal do Júri de Primavera do Leste, a 242 quilômetros de Cuiabá, pelo sequestro e assassinato da adolescente Maíza Aparecida Souza Santos, de 15 anos. O crime ocorreu em novembro de 2023 e, segundo a decisão judicial, os réus participaram de uma execução ligada à atuação de organização criminosa. Somadas, as penas ultrapassam 100 anos de prisão em regime inicial fechado.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Maíza foi atraída até a Avenida Belo Horizonte, na região Centro-Leste de Primavera do Leste, no dia 27 de novembro de 2023. A adolescente entrou em um veículo ocupado pelos acusados e, em seguida, foi levada contra a própria vontade para uma área isolada às margens do Rio das Mortes, onde foi assassinada. O corpo da vítima nunca foi encontrado.
As investigações apontaram que os condenados submeteram a adolescente a uma espécie de “tribunal do crime”, prática associada a facções criminosas. Conforme o Ministério Público, o homicídio teria sido motivado pela suspeita de que a jovem mantinha ligação com um grupo rival e por supostas postagens ofensivas feitas em redes sociais. A sessão do júri contou com a atuação das promotoras de Justiça Tessaline Higuchi e Élide Manzini de Campos.
Na sentença, a juíza da Primeira Vara Criminal de Primavera do Leste destacou a extrema gravidade do caso, ressaltando que os crimes foram praticados com violência, organização e características de execução sumária. A magistrada também enfatizou que os acusados tentaram impor punições à margem do Estado, fator que elevou a reprovabilidade das condutas analisadas pelo Conselho de Sentença.
João Vitor Aires da Silva foi condenado a 28 anos, 8 meses e 10 dias de prisão. Já Lucas de Sousa Barbosa recebeu pena de 39 anos, 11 meses e 15 dias de reclusão, enquanto Wuitalo Yan Vieira da Silva foi sentenciado a 31 anos, 11 meses e 15 dias de prisão. Juntas, as condenações chegam a mais de 100 anos de cadeia pelos crimes de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver.



