A influenciadora digital Mariany Dias, de 20 anos, foi presa na manhã desta quarta-feira (24) durante a Operação Quéfren, que investiga a promoção de jogos de azar e lavagem de dinheiro através das redes sociais. Ela é uma das figuras centrais da operação que mira o chamado “Jogo do Tigrinho”, cassinos online ilegais amplamente divulgados por criadores de conteúdo nas redes. Mariany foi detida em casa, no condomínio Florais da Mata, em Várzea Grande, onde a polícia também apreendeu celular e notebook.
Outra influenciadora envolvida, Emilly Souza, com 95 mil seguidores no Instagram, é considerada foragida. Ambas são alvos de mandados de prisão e busca e apreensão expedidos pela Justiça do Ceará, estado que coordena a operação em parceria com outras unidades da federação. A investigação ocorre ainda em São Paulo e no Pará, totalizando mais de 70 ordens judiciais, incluindo bloqueio de bens, buscas veiculares e medidas cautelares.
Segundo a Polícia Civil, os influenciadores promoviam os jogos com vídeos de ganhos fictícios e contas “demo” para atrair seguidores e novos apostadores. A tática incluía aparentes depoimentos de sucesso financeiro, que funcionavam como isca para vítimas, em sua maioria de classes populares. Mariany, por exemplo, soma mais de 36 mil seguidores e usava seu perfil para divulgar ganhos e relatos de apostadores supostamente bem-sucedidos.
A investigação, em curso desde abril de 2024, identificou uma estrutura organizada e transnacional por trás dos cassinos ilegais, com ramificações na China. Os responsáveis pelas plataformas pagavam os influenciadores comissões por novos cadastros e valores apostados, além de oferecer viagens internacionais como forma de manter a ostentação nas redes — estratégia usada para atrair mais vítimas.
A operação lança luz sobre o papel de influenciadores digitais na promoção de práticas ilegais e potencialmente lesivas, e levanta novamente o debate sobre a responsabilização desses agentes no ambiente virtual.