Cidades

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) aumentam 23%

Mesmo com as constantes campanhas de conscientização e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o número de pessoas contaminadas tem crescido significativamente nos últimos anos em Cuiabá. Para se ter uma ideia da evolução, em 2015 foram registrados 385 casos, enquanto em 2016 o total foi de 477 notificações, um aumento de 23,09%.

Os casos que mais aumentaram foram de HIV e sífilis. Das 477 notificações de ISTs, 293 são de pessoas contaminadas por estes dois vírus e que estão sendo tratadas pelo Serviço de Atendimento Especializado (SAE), no bairro Grande Terceiro, por meio do programa IST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os outros 171 registros são de pessoas infectadas por vírus da clamídia, gonorreia, HPV, herpes genital e hepatites.

Destes 293 casos, 252 são pessoas do gênero masculino e 41 do gênero feminino, respectivamente 86% e 14%. Os registros revelam que o grupo mais atingido por esses vírus infecciosos, cerca de 73%, são da comunidade LGBT, um total de 185 pessoas. Já os heterossexuais representam 27% dos contaminados.

Com o atendimento e tratamento garantido de forma gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), as chamadas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) passaram por grandes mudanças ao longo do tempo com os avanços da medicina que hoje em dia oferece uma qualidade de vida melhor aos portadores dos vírus e, em alguns casos, a cura. Até a nomenclatura mudou devido à possibilidade de a pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.

Mariella Padilha, coordenadora técnica do IST na capital, pontua o aumento da demanda de contaminação em relação ao gênero masculino. “A incidência de homem que faz sexo com outro homem tem crescido muito e a falta de uso de camisinha contribui para essa epidemia. O sexo anal é a via de maior contaminação tanto para HIV como para sífilis, devido à vascularização e ocorrência de fissuras, o vírus entra em contato com o sangue, indo para a corrente sanguínea e isso gera a infecção”, explica.

A faixa etária das pessoas que mais se contaminam varia entre 18 e 30 anos, são solteiras, e o mais espantoso: em grande parte têm ensino superior. Para a coordenadora do IST, esses índices que se elevam a cada ano se devem à banalização do tema, pelo fácil acesso ao tratamento.

“Não é falta de informação, esses registros são de pessoas instruídas, como advogados, médicos e universitários. Há a conscientização, a pessoa sabe o que deve ser feito, mas parece que ela não leva pra si a gravidade de estar contaminada e contaminar outras pessoas porque ela sabe que tem como se tratar, se curar e até mesmo ter qualidade de vida com a doença, tudo de forma gratuita. O tema se banalizou muito”, lamenta.

Unidade especializada atende média de 40 pessoas ao mês

A rede de saúde disponibiliza serviços como o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), localizado nas policlínicas do Planalto, Verdão e Coxipó. Nesses locais as pessoas realizam o teste rápido, para detectar a infecção. Se o resultado for positivo, os pacientes são encaminhados para o SAE. Apenas nesses cinco primeiros meses de 2017, uma média de 40 pessoas ao mês deu início ao tratamento de algum tido de infecção adquirida sexualmente.

A enfermeira Liney Araújo, que trabalha há quase 20 anos no SAE, confirma que os índices de infectados têm aumentado com o passar dos anos e também atribui esse índice à efetividade e praticidades dos exames, que dão o resultado em aproximadamente 30 minutos.

“Por ser um serviço de demanda espontânea, sem agendamento, sem marcar horário, tudo flui mais rápido. Chegou, fez o exame e se deu positivo a pessoa não sai da unidade sem resposta. Obrigatoriamente a gente já cadastra e trata esse paciente até ele receber alta. A gente faz o tratamento de diagnóstico, tratamento, seguimento e alta”, declara.

Apenas em casos de pessoas infectadas com o HIV, vírus crônico que pode causar a Aids, é que não se recebe alta, por necessitar de um cuidado controlado. No SAE há o cadastro de 3.509 pessoas positivadas com o vírus do HIV, no entanto o dado não é preciso pela falta de notificação de óbitos.

Por atuar na linha de frente, Liney reforça toda a questão que resulta na contaminação desses pacientes. “As pessoas deixam muito a desejar na hora da negociação da relação sexual com camisinha. Na maioria das vezes, por estarem envolvidas pelo álcool ou drogas. Mesmo tendo consciência e conhecimento do valor do uso do preservativo, acabam deixando-o de lado por motivos banais, e a emoção do momento fala mais alto que a razão”, afirma a especialista em saúde pública.

A enfermeira conta que a tecnologia tem contribuído muito no que diz respeito ao sexo casual, fator influente da disseminação de vírus infecciosos. “Os jovens, que estão no grupo de risco, se utilizam muito de aplicativos para combinar uma transa casual, que às vezes envolve mais de duas pessoas, e estipulam como será, se com o uso de camisinha ou sem, que eles chamam de ‘in pele’”, relata.

Liney também descreve o pós-diagnóstico. “É uma situação bem contrastante, em que o portador do vírus descobre a infecção e acaba no isolamento social. Não há mais aquelas parcerias e nem se pode contar com elas, até porque a pessoa vai ser execrada da sociedade. Com isso vem o sentimento de responsabilidade que gera a culpa”.

Em busca de facilitar o acesso ao atendimento especializado, a enfermeira critica a falta de relacionamento entre as unidades de saúde básica, secundária e terciária, isso por conta da falta de informação que muitas vezes atrapalha e prolonga o tempo de busca do tratamento.

“Seria de grande valia para a sociedade se as unidades de saúde, como um todo, se capacitassem para oferecer orientações corretas de como buscar o tratamento. Há inúmeros casos de pessoas que chegam aqui depois de seis meses e até um ano porque estavam buscando ajuda nas farmácias, em postos de saúde e hospitais, por falta de informação. E nesse período de busca é impossível que a pessoa deixe de ter relações sexuais, ou seja, pode ter disseminado ainda mais o vírus infeccioso. Então é valoroso que as unidades possam ajudar para que não saiam à deriva”.

Não pega ISTs: 

  • Sexo com camisinha
  • Compartilhamento de talheres e copos
  • Aperto de mão ou abraço
  • Doação de sangue
  • Masturbação a dois
  • Piscina, banheiro ou pelo ar
  • Pelo suor ou lágrima

Onde encontro o SAE?

Na Av. Rio Pirain, 780 – Grande Terceiro, Cuiabá

De segunda a sexta-feira

Das 7h às 18h

Para mais informações ligue: (065) 3634-0593

Saúde alerta sobre atraso em entrega de medicamento

Na semana passada, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) emitiu um alerta quanto ao desabastecimento de remédios para o tratamento de HIV/Aids e de preservativos porque o Ministério da Saúde, órgão do governo federal responsável pela distribuição dos medicamentos gratuitos por meio do SUS, estaria com problemas no estoques, o que poderia afetar o estado de Mato Grosso.

O atraso no envio desses medicamentos não foi bem esclarecido pelo Ministério da Saúde, no entanto, informações apontam que o governo federal estaria enfrentando problemas na importação dos medicamentos que são produzidos por laboratórios estrangeiros. Os motivos podem ser atraso nas licitações, falta de documentos, ou até mesmo pelas dificuldades de produção dos laboratórios, que não atendem a demanda.  

Esses medicamentos são repassados da SES aos municípios, contudo, a Secretaria Municipal de Saúde garante que a última remessa de medicamentos recebidos é o suficiente para atender a demanda de Cuiabá.

Os Serviços de Atendimento Especializado, que atendem ao município, estão localizados em 12 regiões do estado e atendem aos municípios. Em todo o Estado, estão cadastrados 5.479 portadores do HIV e a média é que menos 100 pessoas iniciam o tratamento a cada mês.

 

 

 

“Totalmente desestruturado por conta do vírus, desilusões com os homens, entrei no mundo do alcoolismo e drogas, pensei até em me matar. Fiquei física e emocionalmente abalado e acabei indo pra rua. Com o uso da droga eu acabei ficando três meses preso. Procurei ajuda por vontade de sair da situação em que me encontrava e por acreditar que o HIV estava progredindo em meu organismo. Procurei a Casa da Mãe Joana. Hoje vejo o quanto essa ajuda foi importante para minha recuperação, pra minha saúde e para a minha reintegração na sociedade também.” José Maria, 27 anos, descobriu que é soropositivo em agosto de 2015

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Cidades

Fifa confirma e Valcke não vem ao Brasil no dia 12

 Na visita, Valcke iria a três estádios da Copa: Arena Pernambuco, na segunda-feira, Estádio Nacional Mané Garrincha, na terça, e
Cidades

Brasileiros usam 15 bi de sacolas plásticas por ano

Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.