O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) passou a realizar recalls diretamente nos pátios onde ficam veículos apreendidos no Estado. A iniciativa é feita em parceria com as montadoras Honda – que começou a fazer o trabalho há cerca de dois meses – e a Stellantis, dona das marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram e Leapmotor.
O serviço permite que os reparos obrigatórios aconteçam antes de o carro voltar a circular ou ir a leilão. O programa funciona por meio do cruzamento de dados entre o Detran-SP e as fabricantes.
A partir das placas e do número de chassi dos veículos recolhidos, as montadoras identificam quais unidades ainda não passaram por campanhas de recall e organizam as equipes para fazer os reparos no próprio pátio.
Se o conserto não tiver sido feito, a fabricante envia equipe técnica até o pátio para realizar o serviço. O recall é uma obrigação legal da montadora, em caso de defeito de fabricação. Portanto, é sempre gratuito para o proprietário. Concluído o reparo, o carro fica regularizado do ponto de vista da segurança.
Assim, quando o dono retira o veículo ou quando ele é arrematado em leilão, já está com o problema corrigido e apto a circular.
Segundo o Detran-SP, atualmente a Honda está reparando cerca de 400 veículos. Até o fim de fevereiro, 51 já haviam passado pelo processo em cidades da região de Campinas e estavam aptos a voltar às ruas.
Em uma próxima etapa, a expectativa da fabricante japonesa é de reparar 272 veículos da marca em 21 pátios na capital e na Grande São Paulo.
A Stellantis firmou parceria para cruzamento de dados e regularização de 1.194 veículos no Estado. Nesta fase, 732 unidades estão concentradas na capital e na região metropolitana.
Mudança de abordagem
No modelo convencional, cabe ao proprietário levar o veículo até uma concessionária para realizar o reparo. No caso dos veículos apreendidos, o procedimento ocorre de forma inversa: as equipes vão até os pátios.
De acordo com o Detran-SP, a medida busca assegurar que carros recolhidos por irregularidades não retornem às ruas com falhas que ofereçam risco.
A maioria das ações, de acordo com o órgão, está relacionada aos airbags Takata. O defeito pode provocar o rompimento do insuflador no momento da ativação, projetando fragmentos metálicos dentro do carro e colocando os ocupantes em risco.
Muitos veículos apreendidos permanecem por longos períodos nos pátios. Parte acaba sendo recuperada pelos proprietários; outra segue para leilão.


