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Haddad diz que supreendeu o mercado ao entregar crescimento do PIB maior que o esperado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na quarta-feira, 14, em entrevista à GloboNews, que surpreendeu o mercado ao entregar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado pelos analistas. Um dos motivos para o bom desempenho da economia, segundo o ministro, foi a melhora no ambiente de negócios no País, principalmente em relação à concessão de crédito.

Haddad disse ainda esperar uma queda da taxa Selic em 2026, “com responsabilidade”, diante do cenário benigno. O ministro afirmou que os juros altos são o principal responsável pelo aumento da dívida pública e que ouviu de técnicos que “chega uma hora que juros é só para dar satisfação para o mercado”, mas não entrou em detalhes sobre a afirmação.

Déficit

Haddad reafirmou que o déficit nas contas públicas em 2025 deverá ficar em 0,48% do PIB, mas que o índice poderia ter chegado a 1,9% por causa do impacto de medidas tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

Na entrevista, o ministro disse que Bolsonaro entregou o Orçamento de 2023 – primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – com a previsão de um déficit de R$ 63 bilhões, mas não inclui o aumento do benefício do Bolsa Família de R$ 400 para R$ 600. O ex-presidente também deu um “calote” nos precatórios que teve de ser honrado pela atual gestão.

“Déficit com [o ex-presidente Michel] Temer e Bolsonaro ficava entre 1,5% e 2%”, disse Haddad, para ressaltar o resultado do ano passado.

Ainda sobre a questão fiscal, o ministro afirmou que se debruça sobre a isenção das letras de crédito, que provoca concorrência com os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Como o Congresso derrubou a tributação que o governo havia determinado sobre as letras, a medida não pode ser reapresentada. Com isso, a equipe econômica estaria estudando outras formas de corrigir o problema, segundo o ministro.

Haddad disse que também se preocupa com os supersalários do funcionalismo, entre eles a aposentadoria dos militares. O ministro disse que não teve espaço para enfrentar a questão durante a gestão. “Se o Congresso tiver juízo, supersalário deve ser endereçado”, afirmou.

Outro tema importante no campo fiscal, segundo Haddad, é a situação dos Correios, que podem precisar de socorro do Tesouro Nacional, mesmo após terem obtido um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a bancos. Segundo Haddad, a estatal é obrigada a bancar a universalização do serviço postal, o que atrapalha a competitividade com empresas de logística. “Nenhuma empresa vai levar uma carta de São Paulo ao interior do Amazonas”, afirmou. Nesse contexto, a Fazenda estuda como financiar a universalização sem que o custo pese sobre os Correios.

Estadão Conteudo

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