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Haddad: Decisão sobre intervenção (no câmbio) deve ser tomada pelo BC

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta, 29, que a decisão sobre intervenção no câmbio é sempre técnica e deve ser tomada pelo Banco Central. Segundo ele, é preciso “estar no ringue” para tomar essa medida.

“De fora do Banco Central, você fala tem que intervir, não é muito prudente. Você indica para lá os melhores quadros que você tiver disponível na confiança de que eles, com os dados disponíveis, atuem. Porque muitas vezes a atuação pode não produzir o melhor resultado”, avaliou em entrevista à Record News.

Segundo ele, apenas a alta no dólar não é a única justificativa para fazer uma intervenção. “Você fala, o dólar está subindo, tem que intervir. Mas será que é naquele momento que tem que intervir? Será que o ruído não está acontecendo por um outro canal? E vamos atuar então no canal onde está fazendo esse dólar subir em vez do próprio dólar? E às vezes não. Às vezes é um movimento especulativo que a autoridade monetária tem que dar um tranco mesmo”, afirmou.

O ministro disse estar tranquilo em relação à atuação do Banco Central e reforçou que o futuro presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, já está no cargo de diretoria há mais de um ano. Segundo ele, Galípolo tem uma boa interlocução com o Congresso e ganhou a confiança do mercado.

“Tem que ter uma interação grande com a área econômica, preservar a sua autonomia do governo, do poder e preservar a sua autonomia do mercado, mas com interação permanente com a sociedade para fazer a leitura dos dados a mais precisa possível. Então, quanto mais informação o Banco Central tiver, melhor vai ser o resultado das suas decisões”, ponderou.

Haddad reconheceu que o cenário externo é desafiador e que existem problemas internos a serem resolvidos. Ele avaliou ainda que, apesar do bom momento econômico, existe um estresse no mercado por causa de ruídos, mas reiterou que o papel da autoridade é esclarecer, abrir números e explicar as estratégias. O ministro participou hoje, inclusive, de um almoço hoje com representantes da Febraban e disse ter sido bem recebido. Galípolo também esteve presente.

Haddad afirmou ainda que existem desafios a serem enfrentados e disse ter preocupação com a inflação de alimentos, por exemplo. “Não subestimo o que está pela frente, os desafios estão pela frente, sei da nossa responsabilidade, mas eu também não tenho temor de que nós não vamos agir prudentemente para alcançar os melhores resultados”, reforçou.

Estadão Conteudo

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