Mato Grosso encerrou o ano de 2025 com um indicador preocupante para as políticas de bem-estar social: o número de bebês nascidos de mães adolescentes cresceu 5,47%. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), foram 3.415 nascimentos de mães entre 12 e 17 anos no ano passado, superando os 3.238 registros de 2024.
O ritmo não desacelerou na virada do ano. Somente entre 1º de janeiro e 13 de fevereiro de 2026, o estado já contabilizou 183 novos nascimentos nesta faixa etária, sinalizando a urgência de intervenções públicas.
Riscos à Vida: O limite do corpo
Para a ginecologista e obstetra Giovana Fortunato, professora da UFMT, os números representam um risco real à vida. Ela explica que a imaturidade biológica das jovens transforma a gestação em um evento de alta periculosidade. “O organismo ainda não está completamente preparado. Isso se traduz em anemia, hipertensão gestacional e infecções”, alerta a especialista.
O cenário é ainda mais crítico para meninas de 10 a 14 anos. Nessa faixa, as síndromes hipertensivas graves, como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, podem ser fatais tanto para a mãe quanto para o bebê. Além disso, a disputa de nutrientes entre o corpo da adolescente (ainda em crescimento) e o feto frequentemente resulta em recém-nascidos com baixo peso e prematuridade.
O Impacto na Sobrevivência Infantil
A estatística é implacável: o risco de óbito no primeiro ano de vida de bebês de mães adolescentes pode ser até três vezes superior ao de filhos de mulheres adultas. A combinação de desnutrição, imaturidade biológica e, muitas vezes, um pré-natal tardio ou inadequado, cria um ambiente de alta vulnerabilidade para o recém-nascido.
As Barreiras Sociais e o Futuro Interrompido
Além das sequelas físicas, a gravidez na adolescência dispara um efeito dominó social:
- Evasão Escolar: A interrupção dos estudos dificulta a inserção futura no mercado de trabalho.
- Abandono: Muitas jovens enfrentam a falta de reconhecimento do pai da criança e a rejeição familiar.
- Vulnerabilidade: A pobreza é tanto causa quanto consequência da gestação precoce.
A Saída pela Educação e Integração
O enfrentamento desse cenário exige mais do que apenas atendimento médico. Segundo os especialistas, a solução passa por uma rede que conecte saúde, educação e assistência social. Ampliar o acesso a métodos contraceptivos e garantir informações claras sobre saúde reprodutiva são os pilares para proteger as jovens e garantir que a maternidade seja uma escolha, e não um risco imposto pela falta de suporte.
Com Assessoria



