A Frimesa projeta alcançar cerca de R$ 15 bilhões em receita até 2032, ante cerca de R$ 8 bilhões previstos para 2026, informou a cooperativa paranaense em evento realizado na terça-feira, 24, em São Paulo, quando inaugurou um escritório comercial na capital paulista.
Com quase 50 anos de atuação, a Frimesa é a quarta maior empresa de abate e processamento de suínos do Brasil. Em 2025, registrou faturamento bruto de R$ 7 bilhões, com crescimento de 7% sobre 2024, sendo 26% das receitas provenientes de exportações e 74% do mercado interno.
O movimento combina a entrada mais agressiva no maior mercado consumidor do País com o aumento de capacidade produtiva, ancorado na planta de Assis Chateaubriand, considerada a maior da América Latina.
A companhia pretende ampliar a participação das vendas da proteína suína no Estado de São Paulo de 2,5% para 4,5% até 2030. Segundo a empresa, o novo escritório funcionará como um hub comercial e de inteligência de mercado, aproximando a operação do varejo, especialmente de pequenos e médios clientes.
“O movimento para São Paulo está diretamente ligado à nossa estratégia de crescimento. Chegamos impulsionados pelo motor de Assis Chateaubriand, o que nos permite levar ao Sudeste a segurança de um produto com qualidade e excelência desde o campo”, afirmou o presidente executivo, Elias José Zydek, durante evento de inauguração.
A expansão ocorre em paralelo a uma reestruturação interna, com integração das áreas de Operações, Administrativo-Financeira e Comercial. O objetivo é dar suporte ao aumento da escala industrial, que deve atingir 23 mil suínos processados por dia.
Na frente comercial, a companhia aposta na proximidade com o varejo paulistano para ganhar participação. “São Paulo é o coração do consumo no Brasil. Nossa presença aqui nos permite ouvir o varejo em tempo real, agilizar a logística e garantir maior presença nas gôndolas”, disse o superintendente comercial, Rodrigo Fossalussa.
Além da expansão física, a empresa lançou um rebranding para reposicionar a marca. De acordo com o gerente de marketing, Eduardo Rizzo, a mudança busca refletir uma companhia mais moderna e alinhada às demandas do consumidor. “Nosso novo posicionamento reforça que somos um ecossistema focado em inovação e na entrega de produtos que combinam tradição, segurança e praticidade”, afirmou.
Maior consumo
A Frimesa vê na combinação entre aumento do consumo per capita de carne suína no Brasil e expansão geográfica, com foco em São Paulo e na região Sul, o principal motor para sustentar seu plano de mais que dobrar o crescimento até 2032, quando pretende atingir o faturamento de R$ 15 bilhões – foram cerca de R$ 7 bilhões no ano passado.
A companhia projeta que o consumo de carne suína no País pode avançar dos atuais cerca de 18 quilos a 19 quilos por habitante ao ano para aproximadamente 25 quilos per capita até 2032, o que abriria espaço relevante para crescimento do mercado interno. “De 19 kg para 25 kg são 6 kg per capita para 200 milhões de brasileiros”, afirmou o presidente executivo, Elias José Zydek, ao destacar o potencial adicional de demanda.
Segundo a empresa, esse avanço tende a ser impulsionado por fatores estruturais, como a maior aceitação da proteína, e por questões econômicas, especialmente a relação de preços com a carne bovina. “Quando a carne de boi sobe, ela puxa o consumo da carne suína”, disse.
Para capturar esse crescimento, a Frimesa aposta na ampliação de sua presença em mercados em que ainda tem baixa penetração, com destaque para São Paulo. “O grande movimento é o Estado de São Paulo, principalmente capital e regiões metropolitanas”, afirmou, durante a inauguração do escritório comercial em São Paulo.
Além de São Paulo, a expansão também deve ser puxada pela região Sul, especialmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná, onde a empresa já tem forte presença, com cerca de 23% a 26% de participação, a estratégia é de manutenção com ganhos incrementais. “É mais difícil crescer onde já temos presença forte”, afirmou.
A companhia também vê oportunidades em novas praças, como o Distrito Federal, com a entrada em mercados em que ainda não atua diretamente, e no mercado externo, que deve representar entre 25% e 30% da estratégia de crescimento.
Na avaliação da Frimesa, o avanço regional e o aumento do consumo doméstico caminham juntos. “Existe um potencial muito grande de crescimento no consumo interno”, disse, ressaltando que a expansão geográfica será essencial para capturar essa demanda adicional.



