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FMI eleva previsão para PIB global em 2026, mas vê desaceleração em 2027 e múltiplos riscos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2026, a 3,3%, mas pondera que ainda existem diversos riscos de baixa para o desempenho da atividade econômica, prevendo uma leve desaceleração a 3,2% em 2027. A análise consta na atualização trimestral do relatório de Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgado nesta segunda-feira, 19.

Em outubro, o Fundo previa crescimento menor neste ano, de 3,1%. Com a elevação, o PIB global deverá ficar estável em relação a 2025, cuja estimativa permaneceu inalterada em 3,3%.

“Os ventos contrários das mudanças em políticas comerciais foram contrabalançados pelo salto nos investimentos ligados a tecnologia e inteligência artificial (IA), assim como pelo suporte fiscal e monetário, condições financeiras amplamente acomodatícias e adaptabilidade do setor privado”, observou o relatório.

O FMI notou que os investimentos em tecnologia podem continuar a elevar o crescimento global em 2026, a depender de quão rápida será a adoção de inteligência artificial pelos países. No melhor cenário, o avanço do PIB pode ser ampliado em 0,3 ponto porcentual (p.p.) neste ano e entre 0,1 pp a 0,8 pp no médio prazo.

Correção em IA é risco

Por outro lado, correções na valorização de IA nos mercados acionários e consequente aperto das condições financeiras podem reduzir em 0,4% o PIB global, alertou, caso investidores reavaliem suas expectativas de aumento de produtividade com a tecnologia.

Outros riscos para o cenário do FMI são: tensões geopolíticas e comerciais; aumento de incertezas na economia global; efeitos cascata sobre mercados financeiros, cadeias de oferta e preços de commodities; maiores déficits fiscais e pressão sobre rendimentos de longo prazo. Neste último caso, políticas para restaurar espaço fiscal, preservar preços e estabilidade financeira e implementar reformas estruturais podem contribuir para aumentar o crescimento econômico no médio prazo.

Para o Fundo, as incertezas políticas continuam muito mais elevadas do que estavam em janeiro de 2025, mas reduziram em relação a outubro, enquanto condições financeiras tiveram poucas mudanças apesar de “alguma volatilidade” e aumento nos rendimentos soberanos. No câmbio, o dólar teve leve recuperação, mas sucumbiu a pressão renovada após o início de investigações contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell.

Estadão Conteudo

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