A situação atual do ex-presidente Bolsonaro é muito ruim. O projeto de redução da pena que chamaram de dosimetria, aprovado no congresso, foi vetado pelo Lula, em uma ação que sugere vingança. Mas o jogo não está decidido porque esse veto pode ser derrubado pelos parlamentares.
Para livrar o líder do xadrez, a estratégia política da família Bolsonaro neste ano eleitoral de 2026 tem duas vertentes distintas, mas não excludentes entre si.
Uma delas é insistir na candidatura do filho 01 à presidência da república para manter a influência política e garantir um indulto presidencial que tire o pai da cadeia.
Outra frente concentra-se na eleição de senadores. Aqui o plano é aumentar o número de bolsonaristas no congresso para tentar o impeachment do Alexandre de Moraes.
A eleição de senadores alinhados para defenestrar o ministro tem efeito limitado, pois não é garantido que consigam tal proeza — nunca aconteceu isto no Brasil. Mesmo que alcancem este intento, não anularia a condenação que já é definitiva.
Seria apenas um revide dos golpistas presos, que se julgam perseguidos pelo ministro. Este sentimento de vingança é um traço comum dos seres humanos quando se sentem injustiçados. Não dá para execrar os bolsonaristas por conta dele.
Qual deveria ser, do ponto de vista familiar e humanitário, a prioridade zero do clã Bolsonaro? O lógico é concentrar na liberdade do líder. Neste caso, a aposta no filho Flávio parece muito arriscada porque as pesquisas de intenção de voto sugerem que ele perderia para o Lula.
Acrescente-se que o viés populista e gastador do dinheiro da viúva, que é uma característica deste governo, vai dar ao Presidente muita grana para seduzir eleitores.
Não bastassem o vale gás, a diminuição do imposto de renda para os mais pobres, o desconto na conta de energia, a CNH mais barata e a liberação seletiva das emendas parlamentares, ele ainda promete acabar com a escala 6×1 e franquear o transporte público para todos.
Uma leitura atual é que a melhor opção para derrotar o Lula seria a chapa Tarcísio e Michelle. A razão parece simples: se o Jair abençoar a dupla os votos que ele tem seriam facilmente transferidos para ela. Além disso o prestígio do governador de São Paulo garante milhões de votos.
As vantagens vão mais longe: Michelle tem grande influência no meio evangélico, que hoje representa um terço do eleitorado brasileiro, além da possibilidade de atração de apoio feminino de todas as religiões.
Resumindo: para dar o perdão ao pai, o Flávio precisaria ser eleito. Conseguir o impeachment do Moraes é uma possibilidade, mas o Bolsonaro continuaria preso e a vingança seria chocha, pois a julgar pelos contratos que o escritório de advocacia da família do ministro tem, os Moraes poderiam usufruir da grana já ganha, flanando pelo mundo sem preocupação com gastos.
Se a chapa Tarcísio/Michelle fosse eleita, o indulto presidencial estaria facilitado, não só pela promessa do governador de concedê-lo, como também pelo bom relacionamento deste com o Supremo, o que reduziria muito a possibilidade de ser contestado.
Renato de Paiva Pereira.


