Familiares e amigos do serralheiro Samuel Elias Delgado da Silva, de 26 anos, preso por suspeita de envolvimento no assassinato do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, criaram uma página no Instagram para questionar a condução da investigação pela Polícia Civil. O perfil, intitulado Caso Elias MT, publica vídeos com narrações geradas por inteligência artificial para colocar em dúvida a versão da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Entre as principais críticas da página está o tempo de interrogatório do investigado, alegando que ele teria passado por horas de oitivas sem a presença de um advogado e sofrido agressões para admitir a participação no crime.
Apesar de citar um suposto exame de corpo de delito que comprovaria as agressões, o documento não foi divulgado nas publicações. Nas redes sociais, internautas passaram a cobrar explicações dos administradores do perfil, questionando principalmente o fato de Samuel ter sido o responsável por indicar à polícia o local exato onde o corpo de Breno estava escondido. Em resposta, os responsáveis pela página afirmaram que não estão declarando a inocência do serralheiro, mas que pretendem questionar as circunstâncias do depoimento e defender o direito à apuração irrestrita dos fatos.
O corpo do professor foi localizado no dia 8 de outubro, após 12 dias de desaparecimento, em uma área de brejo no bairro Novo Mato Grosso, antigo 13 de Setembro. O laudo de necropsia apontou que Breno foi esfaqueado enquanto ainda estava vivo, recebendo 13 golpes que atingiram o pescoço, abdômen, tórax e região escrotal, causando morte por choque hemorrágico. Preso preventivamente enquanto trabalhava em um galpão na região do Manso, Samuel admitiu ser o motorista do veículo que aparece nas imagens de câmeras de segurança após o desaparecimento da vítima, mas negou ser o autor das facadas.
Em seu depoimento à polícia, o serralheiro alegou que sofria chantagem por parte do educador para que um suposto relacionamento extraconjugal não fosse revelado à sua esposa, e que chegou a realizar transferências bancárias para a vítima. A versão é contestada pelo irmão gêmeo de Breno, que afirma não ter identificado nenhuma entrada atípica de valores nas contas do professor. De acordo com o delegado Bruno Abreu, Samuel chegou a se passar pela vítima trocando mensagens pelo celular para despistar os familiares. A Polícia Civil mantém as diligências em andamento e investiga a participação de outros dois homens no assassinato, que também teriam sido alvo das supostas extorsões.


