O escoamento da safra de grãos em Mato Grosso enfrenta entraves históricos causados pela falta de pavimentação em trechos estratégicos de rodovias estaduais e federais. Produtores relatam que as limitações de acesso prolongam o tempo de transporte, elevam custos operacionais e reduzem a eficiência da colheita, impactando diretamente a competitividade do agronegócio no estado.
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, os gargalos logísticos deixaram de ser apenas um desafio pontual e passaram a representar um fator estrutural de custo. A entidade destaca que a precariedade das estradas compromete o planejamento produtivo e pressiona as margens em um cenário de maior volatilidade no mercado agrícola.
O diretor administrativo da entidade, Diego Bertuol, afirma que os produtores esperam retorno efetivo dos recursos recolhidos por meio do FETHAB. Segundo ele, embora haja reconhecimento de avanços na atual gestão estadual, a aplicação dos valores arrecadados precisa se refletir de forma mais concreta na melhoria da infraestrutura viária, considerada essencial para garantir eficiência no escoamento.
No noroeste do estado, a situação da MT-183 exemplifica o problema. Com mais de 200 quilômetros de estrada de terra, o trecho que liga áreas produtivas à rede de armazenagem se torna crítico no período chuvoso, dificultando o tráfego e aumentando o risco de acidentes. Produtores da região de Aripuanã relatam que o tempo de deslocamento até os armazéns pode dobrar ou triplicar, obrigando, em alguns casos, a interrupção da colheita à espera do retorno dos caminhões.
Em outras regiões, como em Paranatinga, a MT-499 também apresenta falhas recorrentes de manutenção, gerando atrasos na retirada da produção. De acordo com relatos, períodos curtos de chuva já são suficientes para criar pontos de bloqueio que travam a logística, acumulam prazos e ampliam prejuízos ao longo da cadeia produtiva.
Diante desse cenário, a Aprosoja MT avalia que garantir previsibilidade no escoamento é condição estratégica para preservar a qualidade dos grãos, reduzir perdas e manter a competitividade do estado nos mercados nacional e internacional. Além de investimentos em pavimentação, produtores defendem políticas de incentivo à armazenagem rural, permitindo que parte da safra seja beneficiada e estocada nas propriedades, reduzindo a pressão sobre o transporte no período mais intenso da colheita e promovendo ganhos logísticos e econômicos para toda a cadeia.



