O mês de setembro é muito significativo, pois é neste mês que falamos sobre a prevenção do suicídio. Não que ninguém lembre-se de que falar sobre o assunto é importante durante todos os meses, e deve ser feito. Mas é agora que nos lembramos do Setembro Amarelo e do que ele representa.
Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 17% das pessoas no Brasil pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Estima-se que até 2020 poderá ocorrer um aumento de 50% na ocorrência anual de suicídios em todo o mundo, ultrapassando o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados.
Os números são angustiantes. Mas o problema é bem maior, por conta do silêncio da sociedade em torno do tema. Se em alguns dos países com maior incidência de suicídio a taxa está estável, no Brasil ela tem crescido.
Uma pesquisa inédita realizada pela Nova/sn por meio do Comunica Que Muda (CQM),captou 1.230.197 menções sobre suicídio entre os meses de abril e maio de 2017 nas principais redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube).
Durante o período, os destaques foram os expressivos números de comentários sobre o crime virtual da Baleia Azul e a série 13 Reasons Why (Netflix), o que fez o tema alcançar seu ápice de buscas no Google dos últimos cinco anos.
No geral, o jogo Baleia Azul estava na maior parte das menções, com 59,9%. A série 13 Reasons Why, ficou com 26,6%. As menções sobre depressão somaram 7,7%, enquanto os comentários intolerantes em relação ao suicídio ficaram com 4,1%. Outros assuntos somaram 1,7%.
Em Cuiabá, Joimmyr Hellensberger, Coordenador do CVV Cuiabá, falou sobre o ano de 2017 será marcante devido aos temas em destaque. “A Campanha Setembro Amarelo tem ganhado maiores proporções desde que teve inicio em 2014. A sociedade está deixando o preconceito de lado e está falando sobre isso. A depressão está cada vez mais presente nas empresas, escolas, hospitais e está deixando de ser um tabu”.
Segundo o voluntário, após as notícias sobre o jogo e o lançamento da série, não tem como mensurar se as ligações no CVV aumentaram por esse motivo, mas o que eles perceberam foi o aumento do assunto durante as palestras realizadas.
Joemir explica que durante as palestras sobre prevenção, as perguntas sobre os temas aumentaram. “Então nas palestras sempre há perguntas relacionadas a esses temas. Mas o que acontece nas duas situações é que se repercutiu de maneira negativa, mas abriu-se a possibilidade de conversar. Uma coisa que todo mundo achava muito distante, não com meus filhos, passaram a ficarem mais atentos”, falou.
Joemir explica que a palavra suicídio é muito carregada e que trabalhar com a prevenção é levar as palestrar para dentro de todos os locais, seja de trabalho, estudo, lazer. “Quando a gente abre para falar sobre isso, tira o peso da palavra e nos torna próximo. Nos torna gente conversando com gente.”, conclui.
Como ajudar
Pode ser que em algum momento, desconfiemos ou conheçamos uma pessoa que está pensando em suicidar-se em decorrência de um grande sofrimento. Caso isso aconteça com você, existem maneiras de auxiliar essa pessoa.
É importante que se converse diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo.
Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir.
Precisa conversar?
O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias.
Em Cuiabá, ainda tem o atendimento pessoal na sede do CVV, localizado na Rua Comandante Costa, 296 – Centro Sul, das 8h da manhã às 16h da tarde de segunda a sexta-feira. São 62 voluntários atendendo a Capital e baixada cuiabana do 141 e para o restante do Estado e do Brasil, através do numero 3321-4311.



