Os passageiros da América Latina e do Caribe esperam viagens mais digitais, aponta o Travelers’ Voice 2025 Passenger IT Insights da Sita, relatório anual da empresa de tecnologia para o setor aéreo. No entanto, a realidade nos aeroportos da região ainda inclui muita documentação em papel, checagem física no terminal e, consequentemente, longas filas em datas de pico de movimento. Para dois em cada três viajantes da região, reduzir o tempo de processamento nos aeroportos está no topo da lista de prioridades em relação à aviação.
De acordo com o levantamento da Sita, três em cada quatro viajantes da América Latina e do Caribe têm sua identidade verificada por um agente no balcão do aeroporto, índice bem acima dos 59% mundialmente. Como parte dessa rotina muito manual, oito em cada dez embarcam apenas depois de um funcionário conferir sua documentação, diz o relatório. Os dados foram apresentados pela Sita na ACI-LAC 2025, em Trinidad e Tobago, conferência anual dos países da América Latina e do Caribe para o setor da aviação.
No Travelers’ Voice deste ano, 95% dos passageiros da região dizem que gostariam de ter todos os documentos de viagem vinculados a uma carteira digital segura em seus smartphones. Esse porcentual é o mais alto registrado entre todo o planeta – a média global nesse quesito é de 87%. Entre os viajantes da América Latina e do Caribe, 42% afirmam que gostariam de receber notificações sobre a viagem por meio de um aplicativo digital.
Numa era em que celulares dominam o dia a dia, por que o ato de viajar ainda é movido a tanto documento em papel e filas físicas no check in e na imigração? “A adoção de qualquer tecnologia requer um processo. Assim como o uso do check-in por quiosques e pelo celular teve uma curva de adaptação até os dias atuais, em que o uso é comum, existe uma transição para novas tecnologias, como a biometria”, diz George Miley, vice-presidente da Sita para as Américas e o Caribe, em entrevista ao Estadão por email.
Digitalização crescente desde a pandemia
O executivo lembra que as soluções sem contato já eram uma forte tendência, mas que, assim como ocorreu em outros setores, o processamento digital foi acelerado na aviação durante e após a pandemia.
“O Brasil, por sua dimensão geográfica e econômica e especialmente pelo tráfego aéreo, tem um papel fundamental na adoção de novas tecnologias. Em 2019, por exemplo, lançamos o primeiro processamento de bagagens automático no Galeão. A Latam tem uma adoção espetacular dessa tecnologia nas Américas. Participamos do projeto Embarque+Seguro com o governo e atualmente Viracopos usa biometria”, exemplifica. “É uma tendência natural. Em Aruba, tivemos o primeiro projeto piloto de viagem digital, usando um único token para o passageiro.”
Desde a pandemia, conta ele, a viagem digital vem evoluindo “de cookies e logins para soluções biométricas robustas”. O passo seguinte é a identidade digital, em que cada um controla seus dados no próprio smartphone. “Esses avanços permitem uma experiência sem fricção, eficiente e integrada, beneficiando companhias aéreas, aeroportos, governos e passageiros, além de possibilitar a emissão de credenciais digitais como passaportes, vistos, bilhetes, cartões de embarque e recibos de bagagem”, diz Miley.
Praticidade com sustentabilidade
Outro aspecto que aparece no Travelers’ Voice 2025 é o desejo dos viajantes da América Latina e do Caribe de aliar praticidade com sustentabilidade. Quase metade (45%) diz que gostaria de reservar no próximo ano uma jornada em que combinasse avião, trem e ônibus. Nos dados mundiais, isso ficou em 33%. Sobre a pegada ecológica, 67% dizem que levariam menos bagagem para ajudar a reduzir as emissões dos voos; a média global nessa resposta foi de 55%.
Presente em cerca de 200 países e territórios, a Sita dá suporte tecnológico a aproximadamente 1 mil aeroportos e quase 20 mil aeronaves no mundo, além de auxiliar em torno de 70 governos com a segurança de fronteiras. No total, a empresa lida com praticamente a metade dos dados do setor, numa rede global que participa de todas as etapas do processo. “A digitalização veio para ficar, é um caminho sem volta”, diz Limey. “Hoje em dia, a tecnologia apoia a colaboração entre companhias aéreas, aeroportos e governo. Desde o 11 de setembro de 2001, a indústria entendeu a importância da colaboração. Todos trabalham juntos com um único propósito.”


