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Execução de manifestante iraniano Erfan Soltani é adiada, diz ONG

A execução de Erfan Soltani, que estava marcada para esta quarta-feira, 14, foi adiada, segundo informações obtidas pela ONG Hengaw Organization for Human Rights. O jovem de 26 anos foi preso no último dia 8, em sua casa, em Kurtis, por participar dos protestos contra o governo do Irã.

“De acordo com informações obtidas pela Organização Hengaw para os Direitos Humanos por meio de parentes de Erfan Soltani, a ordem de execução que havia sido comunicada anteriormente à sua família e estava prevista para ser executada na quarta-feira não foi implementada e foi adiada”, afirmou a organização no X.

A sentença de Erfan é Moharebeh, chamada de “inimizade contra Deus”, considerada de alta gravidade e passível de pena de morte. A ONG informou que, devido ao bloqueio da internet e às restrições de comunicação no país, não é possível informar em tempo real os desdobramentos sobre a vida de Soltani.

“Apesar das sérias e contínuas preocupações com o direito à vida de Erfan Soltani, a Hengaw considera sua responsabilidade publicar qualquer informação atualizada e verificada assim que estiver disponível”, afirmaram.

Mais de 3 mil mortos

O número de mortos nos protestos em todo o Irã já passa dos 3,4 mil mortos, segundo ativistas. Os protestos que tomam conta do país completam duas semanas neste sábado, 10, com o governo do reconhecendo as manifestações contínuas e agravando a repressão.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à Fox News nesta quarta-feira, 14, que as autoridades iranianas têm “controle total” da situação. “Após três dias de operações terroristas, agora há calma. Estamos em pleno controle”, disse Araghchi ao programa “Special Report” da emissora.

Iraniano foi julgado sem defesa e teve 10 minutos para se despedir da família

Conforme a ONG Hengaw Organization for Human Rights, após a prisão, Soltani passou por um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a direitos básicos e com pouca transparência. Sua família, segundo a entidade, ficou dias sem qualquer informação sobre o jovem.

As autoridades iranianas só entraram em contato com os parentes no fim de semana, já para informar sobre a execução. As entidades afirmam ainda que a família teve direito a uma breve reunião com Erfan Soltani, por cerca de 10 minutos, apenas para se despedir. A irmã dele, que é advogada, tentou impedir a pena de morte por meios legais, mas não teve acesso aos autos pelas autoridades. Os familiares ainda teriam sido ameaçados caso se manifestassem publicamente sobre o caso.

Estadão Conteudo

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