Quando tratamos de cultivo de grãos, logo nos vêm à cabeça pragas e doenças da lavoura. A melhor maneira para que a plantação de grãos seja saudável é o manejo dessas pragas e doenças. A etapa prática do II Simpósio Agroestratégico realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) levou os produtores, técnicos agrônomos, e envolvidos diretamente com a produção a conferir in loco como fazer esse processo: o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Manejo Integrado de Doenças (MID).
Os participantes dos 22 núcleos da associação foram, no fim de novembro, às quatro regiões do Estado. Na Região Norte, a orientação técnica ficará a cargo de Rafael Pitta, da Embrapa Agrossilvipastoril. Na Região Oeste, será André Mateus Prando, da Embrapa Soja. Lúcia Vivan, da Fundação Mato Grosso, será a facilitadora na Região Sul, e Edson Hirose, da Embrapa Soja, coordenará os trabalhos na Região Leste.
A analista de projetos da Aprosoja, Franciele Dal’Maso, acompanhou o curso na Região Sul do Estado, onde as plantações ainda estão em desenvolvimento e, lá, a demanda foi maior pelo Manejo Integrado de Pragas. “Por entender a importância do MIP, produzimos uma cartilha para os produtores. Nós fomos a campo, reunimos os participantes, fizemos uma breve explicação – antes de ir para lavoura – sobre o que é o MIP”, explica a analista e acrescenta que já na lavoura os participantes aprenderam o principal método de combate a pragas: Pano de Batida.
O uso do pano é fundamental e simples. O agricultor estende o pano sob o pé de soja que é sacudido vigorosamente. O processo é realizado em diversos pontos da plantação. Após os “chacoalhões”, o técnico analisa quantos e quais insetos estão no pano. Assim, é possível estimar a quantidade de insetos presentes na lavoura, e identificar possíveis pragas. O método mostra se é necessário ou não entrar com produtos químicos para o controle.
“Também não podemos deixar de lembrar que com a ocorrência de recentes ameaças fitossanitárias, como a Helicoverpa armigera, por exemplo, e de outras pragas que antes não causavam problemas e atualmente preocupam, vemos a necessidade e eficácia do Manejo Integrado de Pragas e a sua ampliação”, reforça o diretor técnico da Aprosoja, Nery Ribas.
Cada pesquisador teve a função de orientar os participantes sobre como deve ser realizado o MIP e/ou MID. “Foram entregues kits de suporte para a realização de cada procedimento. Neles, havia as cadernetas (manual e ficha de monitoramento); manual de pragas; boné de proteção; caneta e o ‘pano de batida’”, explica Dal’Maso.
Até agora, as edições do simpósio abrangeram cerca de 600 pessoas envolvidas diretamente com a produção de soja em Mato Grosso, associados da Aprosoja. “Nosso objetivo é aproximar e orientar ainda mais a entidade de seus associados, aproveitando para fomentar as boas práticas agrícolas, como o monitoramento nas propriedades mato-grossenses”, pontua o diretor.
O Simpósio Agroestratégico é uma iniciativa da Aprosoja lançada neste ano. O objetivo foi repensar a prática agrícola adotada nas propriedades de soja e milho de Mato Grosso, o que requer uma análise para além das culturas, incluindo algodão, reflorestamento e atividade pecuária.
No próximo ano já está confirmada uma nova edição do evento. “Tivemos uma adesão positiva dos produtores. Por ser o primeiro evento no campo que a Aprosoja realizou, podemos dizer que ‘fechamos com chave de ouro’. Os produtores, agrônomos e técnicos já aguardam outros eventos, mas ainda não temos previsão de tema e datas”, revela a analista.


