(Foto:Primavera Estudantil)
Neste domingo (29), estudantes que ocupam a Escola Marlene de Barros anunciaram que continuaram no local, mesmo após terem sido vítimas de um assalto na madrugada de sábado (28). “Os/as estudantes da Escola Marlene Marques de Barros e a coordenação do "Movimento Primavera Estudantil” afirmam que o fato sinistro do assalto deve ser apurado e investigado, mas que não será motivo para abandonarem a luta em defesa da escola pública e seguem ocupando a escola”, consta de trecho da nota pública, aprovada em assembleia estudantil para divulgação.
Quatro escolas estaduais foram ocupadas por estudantes em Mato Grosso. Em Várzea Grande três escolas estão ocupadas: Escola Estadual Elmaz Gattas Monteiro, Escola Estadual Dunga Rodrigues e Escola Estadual Marlene de Barros em Várzea Grande; em Cuiabá a Escola Estadual Professor Rafael Rueda, foi a primeira a ser ocupada na Capital.
Os estudantes ocuparam as escolas contra a proposta de implantar Parcerias Público Privadas (PPPs) para construir e administrar 76 escolas em Mato Grosso. Outra reinvidicação dos estudantes é a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). A pasta é alvo de investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), devido a fraudes em licitações para construção de novas escolas.
Em todas as escolas ocupadas, o movimento segue pacifico, com oficinas, esportes e momentos culturais. Os estudantes também estudam para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Assalto Escola Marlene Marques Barros
Localizada no bairro Jardim Imperial, a Escola Marlene Marques de Barros foi invadida às 1h da madrugada de sábado por três homens armados. Segundo informações de Fabrício Paz, diretor de Relações Institucionais da União Estadual dos Estudantes (UEE), os cerca de 40 estudantes foram levados para uma sala, aonde foram mantidos até o fim do assalto. Nenhum item de valor da escola foi roubado, apenas pertences dos alunos.
As PPP
Após o início das ocupações das escolas, o governador anunciou que a implantação das PPP será condicionada a uma eleição, após a realização de varias audiências publicas para discutir o assunto. Participarão da votação os professores, alunos e pais de alunos. Não foi detalhado se somente o público das escolas afetadas irão votar, ou de toda rede estadual.
Confira abaixo a nota enviada pelos estudantes:
NOTA DO "MOVIMENTO PRIMAVERA ESTUDANTIL" sobre o sinistro na Escola Marlene Marques de Barros
Os/as Estudantes que participam do Movimento Primavera Estudantil, organizado em conjunto pela Associação Matogrossense dos Estudantes (AME), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), que ocupam a Escola Estadual Marlene Marques de Barros, em Várzea Grande, assaltados/as na madrugada desse sábado (28.05), vem a público reafirmar a posição de permanecer ocupando a Escola Marlene Marques de Barros.
Os/as estudantes da Escola Marlene Marques de Barros e a coordenação do "MOVIMENTO PRIMAVERA ESTUDANTIL afirmam que o fato sinistro do assalto deve ser apurado e investigado, mas que não será motivo para abandonarem a luta em defesa da escola pública e seguem ocupando a escola.
Portanto, a Escola Marlene Marques de Barros continuará ocupada com muita arte, cultura, debate, oficinas, esporte, aulas públicas e muita democracia da mesma forma que as Escolas Elmaz Gattas Monteiro e Ubaldo Monteiro continuarão ocupadas até que o Governo Taques recue da implantação do projeto do governo de Parceria Público-Privada (PPP) que prevê terceirização de serviços em escolas da rede pública e que seja instalada a CPI na SEDUC.
A ocupação é uma forma organizada e pedagogicamente pacifica para chamar a atenção da comunidade escolar contra o processo de terceirização e de privatização promovida pelo Governo Taques e em defesa de uma escola pública de qualidade socialmente referenciada, voltada para os interesses da classe trabalhadora.
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