Uma fotografia registrada da segunda câmara de julgamento da direito público revela uma cena que tem se tornado cada vez mais comum no Judiciário brasileiro.
Nela estão os estudantes de Direito, ocupando o auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso para acompanhar uma sessão, enquanto o plenário, tradicionalmente ocupado por desembargadores, procuradores e advogados, permanece vazio.
Na imagem, dezenas de alunos frustrados observam atentamente uma televisão instalada no centro da sala, onde aparecem os participantes da sessão conectados por videoconferência. As cadeiras destinadas aos magistrados e membros do Ministério Público e tribuna destinada aos aos advogados permaneceram desocupadas.
O cenário evidencia a crescente digitalização das sessões de julgamento, fenômeno intensificado após a pandemia e consolidado em diversos tribunais, inclusive os superiores.
Embora o modelo remoto permita maior agilidade e amplie a possibilidade de participação à distância, a cena provoca reflexão entre estudantes e operadores do Direito.
A reflexão referente a experiência presencial do julgamento com o ritual, a oralidade e a interação direta entre magistrados, advogados e Ministério Público, que acaba substituída por uma dinâmica mediada por telas.
Para os alunos presentes, a expectativa de presenciar o funcionamento vivo do tribunal se transformou na verdade em uma aula sobre a nova realidade tecnológica da Justiça brasileira.


