Um esquema estruturado de fraudes em licitações públicas, que teria causado prejuízos à Prefeitura de Barra do Garças, é alvo da Operação Cenário Montado Gyn, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta terça-feira (16). A investigação apura indícios de superfaturamento, direcionamento de certames, uso de empresas de fachada, associação criminosa e corrupção envolvendo empresários, funcionários de empresas e servidores públicos.
Durante a operação, são cumpridas 30 ordens judiciais, incluindo sete mandados de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, além de quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático. Também foram determinadas a suspensão das atividades econômicas de duas empresas e o sequestro de valores superiores a R$ 4,2 milhões, montante apontado como prejuízo inicial ao erário no núcleo central das investigações.
As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e estão sendo cumpridas no próprio município e nas cidades goianas de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia. A ação conta com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil de Mato Grosso e da Polícia Civil de Goiás.
A operação é presidida pelo delegado Adriano Marcos Alencar, com apoio dos delegados Pablo Borges Rigo e Raphael Diniz, sob coordenação do delegado regional de Barra do Garças, Wilyney Santana Borges. As apurações são um desdobramento das Operações Cenário Montado I e II, deflagradas nos meses de março e maio deste ano, que já haviam identificado práticas semelhantes no setor de eventos.
As investigações começaram em janeiro de 2025, inicialmente para apurar fraudes em licitações no município de Pontal do Araguaia, após informações repassadas pelo Gaeco. O esquema utilizava empresas do ramo de produção de eventos e shows para fraudar pregões eletrônicos, originando atas de registro de preços posteriormente usadas por diversos municípios por meio de adesões, conhecidas como “caronas”, com valores elevados e indícios de simulação de concorrência.
Análises técnicas apontaram superfaturamento de até 372,09% em itens como palcos, iluminação, geradores, telões de LED e estruturas para eventos. Após a deflagração das operações, houve queda imediata nos preços praticados, reforçando as suspeitas de manipulação de orçamentos e ausência de competitividade real. As investigações seguem em andamento e novas fases, responsabilizações e ampliações do alcance da apuração não estão descartadas.

