No Sudão e no Butão — dois países muito pobres — as pessoas trabalham mais de 50 horas por semana. Na Noruega e na Dinamarca — nações ricas e desenvolvidas — menos de 30.
O que conta não é a carga horária e os dias trabalhados, mas o que cada um consegue produzir. Se um operário faz uma peça em uma hora e outro gasta duas, o primeiro, com menos esforço, vai produzir muito mais riqueza para a nação e para si.
Mas, o que faz um trabalhador ser tão mais produtivo que o outro? Educação formal, qualificação, tecnologia, automação, infraestrutura e logística.
No Brasil e nos Estados Unidos, os trabalhadores têm uma carga horária muito parecida, entretanto, um é rico e o outro, pobre. O PIB per capita americano é 8 vezes o brasileiro.
No início da era industrial, os operários trabalhavam de 12 a 16 horas por dia, de segunda a sábado. Desde então, as coisas foram melhorando para os trabalhadores muito mais pela pressão deles do que por bondade dos empregadores.
Mas a disputa continua. Agora mesmo no Brasil busca-se diminuir a carga horária de 44 horas semanais para 40 ou 36.
Dizem alguns especialistas que haverá uma redução de 6% do PIB se tal plano for aprovado no Congresso.
Todos que estão lendo este artigo conhecem a utilíssima regra de três, que aprendemos na escola: conhecendo três variáveis que mantêm proporcionalidade entre si, determina-se uma quarta desconhecida.
A proposição clássica para uma regra de três composta era a seguinte: 10 homens, trabalhando 8 horas por dia, fazem uma valeta de 20 metros em 6 dias. Quantos metros de valeta farão os mesmos trabalhadores se labutarem 7 horas diárias durante 5 dias?
Farão 14,6 metros. Não há milagre, mantidas as outras variáveis, se trabalham menos, produzem menos.
Sugiro acrescentar no enunciado escolar acima a variável produtividade: se diminuirmos as horas trabalhadas de 7 para 6 e melhorarmos a produtividade de 1 para 1,5, quantos metros de valeta escavarão?
Farão 18,75 metros. Sendo mais produtivos, trabalham menos e produzem mais.
Não serei simplista afirmando que, no caso brasileiro, basta aumentar a produtividade das pessoas para resolver o problema de relacionamento entre capital e trabalho, porque na verdade este é um processo longo e complicado.
Entretanto, parece óbvio que a redução pura e simples da carga horária dos trabalhadores diminuirá o valor das riquezas produzidas, se não for acrescentada uma outra variável nessa equação.
Também está claro que a discussão deste conflito em ano de eleição é uma jogada política do presidente Lula para conseguir o quarto mandato. Mesmo não conseguindo a aprovação, ele está dizendo para o eleitorado que está empenhado em melhorar a vida dos trabalhadores.
Trabalhar menos sem comprometer a renda geral só é possível quando se aumenta a eficiência. Para usufruir da ociosidade responsável são necessários recursos financeiros que só o trabalho dá.
Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito, portanto, diminuir o expediente antes de atingir o progresso pode, eventualmente, atrasar sua chegada, ou mesmo impedi-la.
Renato de Paiva Pereira


