O consumo de energia elétrica totalizou 49.104 gigawatts-hora (GWh) em janeiro, aumento de 4,1% comparado ao mesmo mês do ano passado, na terceira alta consecutiva no consumo nacional, informou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Entre as regiões do País, o maior avanço foi observado no Sul (+7,7%), seguido por Centro-Oeste (+5,4%), Norte (+4,6%), Sudeste (+3,0%) e Nordeste (+2,6%).
Destaque para o aumento de 8,6% no consumo residencial, para 16.989 GWh, um novo recorde para o segmento, impulsionado pelas ondas de calor e clima mais seco, que intensificaram o uso de equipamentos de climatização. Foi a quarta vez que a classe superou o consumo industrial.
Já o segmento comercial apresentou crescimento de 6,4%, para 9.352 GWh, também no maior nível já registrado para a classe desde o início da série histórica da EPE, em 2004. Além das temperaturas elevadas e menor precipitação, a empresa de pesquisa atribui o desempenho à atividade favorável dos setores de comércio e serviços.
Já a indústria consumiu 1,3% menos, ou 15.794 GWh. Segundo a EPE, a retração foi observada em 26 dos 37 setores monitorados. Já entre os dez setores mais eletrointensivos, sete consumiram menos.
A metalurgia foi a que mais contribuiu para a queda do consumo industrial, com uma redução de 287 GWh, baixa anual de 6,8%, influenciada majoritariamente nos segmentos de siderurgia e ferroligas. O setor de Produtos Químicos foi o segundo setor que mais contribuiu para a queda, com a diminuição de 115 GWh, baixa de 7,2% na comparação anual, influenciada pela hibernação de uma unidade de cloro-soda em Alagoas.
Entre os setores industriais, a maior queda porcentual de consumo foi da indústria automotiva, de 9,1%, o que corresponde a uma diminuição de 49 GWh. Também recuaram Produtos de Metal (-4,4%), Têxteis (-3,0%), Produtos de Borracha e Matéria Plástico (-2,4%) e Produtos de Minerais Não-Metálicos (-0,9%). Apenas os setores de Extração de Minerais Metálicos, Papel e Celulose e Produtos Alimentícios apresentaram aumento da demanda por eletricidade, de 13,6%, 5,7% e 3,6%, respectivamente.
Mercado Livre x Mercado regulado
Entre os ambientes de contratação, o mercado regulado, atendido diretamente pelas distribuidoras, respondeu por 56,8% do consumo nacional, ou 27.900 GWh, num aumento de 4,2% frente a janeiro de 2025, influenciado também pelo crescimento de 1,9% no número de consumidores. O Sul registrou a maior expansão, de 9,4%, enquanto a região Norte teve o maior aumento no número de consumidores cativos, de 4,0%.
O mercado livre, em que o consumidor escolhe seu fornecedor, respondeu por 43,2% do consumo nacional de energia elétrica, ou 21.204 GWh, um crescimento de 4,0% na comparação com janeiro de 2025 e de 33,5% no número de consumidores. O Norte foi a região que mais expandiu o consumo no segmento, de 6,6%, e teve também o maior aumento no número de consumidores livres, com alta de 45,2%.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam previsão de 10 mil consumidores migrarem para o mercado livre ao longo de 2026. Após a abertura do mercado livre para todos os consumidores atendidos em alta tensão (grupo A), a partir de janeiro de 2024, 45 mil consumidores já realizaram a migração.


