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Energia pesa e IPCA-15 vai a 1,23%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acelerou e registrou alta de 1,23% em fevereiro, muito acima do 0,11% apurado em janeiro. Apesar de ter ficado abaixo das previsões iniciais do mercado (de alta de 1,37%), a variação da prévia da inflação foi a maior desde abril de 2022 (1,73%) e também a maior para um mês de fevereiro desde 2016 (1,42%).

Pelos dados divulgados na terça-feira, 25, pelo IBGE, o índice foi puxado principalmente pelo impacto do aumento de 16,33% na conta de luz. Depois, na sequência, aparecem mensalidades escolares (com reajuste de 7,5%) e gasolina (1,71%). A variação acumulada em 12 meses passou de 4,5%, até janeiro, para 4,96% – aumentando ainda mais a distância para a meta de inflação (cujo centro é de 3%, com 1,5 ponto porcentual de tolerância para mais ou para menos).

O aumento de preços tem preocupado o governo, que vê na inflação o principal motivo para a queda da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pressionado, Lula já chegou a dizer que era preciso “educar” o consumidor para boicotar produtos caros. O governo também decidiu adiar o aumento da mistura de biodiesel ao diesel por conta da alta de preços do óleo de soja – matéria-prima para o combustível verde.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, em reunião ontem à tarde foi apresentado a Lula um rol de medidas debatidas desde a segunda-feira por equipes técnicas dos ministérios para conter a escalada de preços de alimentos. Entre as medidas em avaliação, estariam a limitação de exportações e, de outro lado, a redução da tarifa de importação de alimentos – que contariam com o apoio da Casa Civil.

A equipe econômica, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) são contrários a qualquer proposta relacionada à limitação de exportações.

A reunião terminou sem pronunciamento dos participantes. Estiveram presentes o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin; o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa; o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro; o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; e o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto.

Para o economista Igor Cadilhac, do PicPay, o avanço do IPCA-15 de fevereiro a 1,23% foi um resultado qualitativamente ruim. “As principais métricas seguem próximas de 6% na média dos últimos três meses dessazonalizados e anualizados”, detalha ele, em nota. Cadilhac acrescenta que o cenário permanece desafiador do ponto de vista da política monetária.

Já o economista Fabio Romão, da LCA 4intelligence, reduziu sua projeção para a inflação final de fevereiro, de 1,34% para 1,27%, após o resultado mais baixo do que esperado do IPCA-15. A estimativa para 2025, porém, segue em 5,6%, porque alguns fatores inflacionários incomodaram nesta leitura.

O economista aponta que em fevereiro do ano passado os bens duráveis registraram alta de 0,21%, enquanto em igual período de 2025 foi de 0,63%. “Alguns itens apareceram com ritmo de reajuste importante, como aparelhos eletroeletrônicos”, destaca Romão, que avalia o avanço como um possível impacto da depreciação cambial. “Entendo que houve uma mudança de tabelas de preços para compensar os efeitos da depreciação do câmbio do fim do ano passado. Isso vai acabar, essa conta vai chegar à precificação principalmente de duráveis e semiduráveis.”

VARIAÇÕES

Os preços do grupo Habitação subiram 4,34%, exercendo o maior impacto sobre o índice do período, de 0,63 ponto porcentual. A principal pressão do grupo veio da energia elétrica residencial, que em fevereiro não contou com a incorporação do bônus de Itaipu.

Ainda em Habitação, a alta de 0,52% da taxa de água e esgoto decorreu de reajustes de 6,42% nas tarifas em Belo Horizonte e do reajuste de 6,45% nas tarifas de uma das concessionárias em Porto Alegre, vigente desde 1.º de janeiro. Já o item gás encanado viu os preços caírem 0,32% em fevereiro, em função de variações nos preços do Rio de Janeiro, de Curitiba e de São Paulo.

As únicas taxas negativas vieram dos grupos Vestuário (-0,08%) e Comunicação (-0,06%). Em Educação (4,78%), a maior contribuição veio de cursos regulares (5,69%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. As maiores variações vieram do ensino fundamental (7,50%), do ensino médio (7,26%) e do ensino superior (4,08%).

Os preços do grupo Alimentação e Bebidas subiram 0,61% em fevereiro, após alta de 1,06% registrada em janeiro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,14 ponto porcentual para o IPCA-15.

Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 0,63% em fevereiro, desacelerando após o avanço de 1,1% no mês anterior. Contribuíram para esse resultado os aumentos da cenoura (17,62%) e do café moído (11,63%). Entre as quedas, destacam-se a batata-inglesa (-8,17%), o arroz (-1,49%) e as frutas (-1,18%).

Já os preços da alimentação fora do domicílio subiram 0,56% no período, também desacelerando com relação à alta de 0,93% em janeiro. Tanto a refeição (0,43%) quanto o lanche (0,77%) tiveram variações inferiores às observadas no mês anterior, de 0,96% e 0,98%, respectivamente.

Os preços de Transportes subiram 0,44%, com impacto de 0,09 ponto porcentual no índice do período. Essa alta representa uma desaceleração com relação a janeiro, quando os preços do transporte tiveram alta de 1,01%.

Estadão Conteudo

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