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Empréstimo de R$ 1,5 bi acirra ânimos na ALMT: PT ataca “herança em ano eleitoral”, e Pivetta rebate

O Projeto de Lei nº 795/2026, enviado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), transformou os corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) em um campo de batalha política. A proposta pede autorização para que o Estado contraia um empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal.

Segundo o Palácio Paiaguás, o montante bilionário será focado em infraestrutura, saúde e na garantia de subsídios para a construção de 60 mil moradias populares por meio do programa SER Família Habitação. No entanto, o envio da proposta a poucos meses das eleições gerou forte resistência.

A ofensiva da oposição

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) liderou as críticas ao projeto, acusando a gestão de oportunismo e irresponsabilidade fiscal.

  • Valdir Barranco: O deputado classificou a manobra como um risco para as contas públicas. “É um projeto eleitoreiro. O atual governador acompanhou e viu que Mauro Mendes nunca teve compromissos com políticas habitacionais. Agora, para entregar o mandato dele, vem pedir empréstimo, deixando conta ao próximo gestor. É uma irresponsabilidade grande dele e de quem votar”, disparou.
  • Lúdio Cabral: O parlamentar criticou as condições de pagamento, apontando que os juros indexados ao CDI superam a casa dos 14% ao ano. “Isso é juro de mercado, essa não é a modalidade correta para o Estado buscar a seis meses do fim do mandato”, alertou.

Para tentar barrar o que considera um rombo, Lúdio apresentou uma emenda exigindo que o Executivo aplique recursos equivalentes do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab) exclusivamente em habitação social.

A resposta de Pivetta: “Com o PT, não teria crédito”

No fim do dia, o governador Otaviano Pivetta foi questionado pela imprensa sobre os ataques da bancada petista. Evitando entrar no mérito técnico da emenda sobre o Fethab, o chefe do Executivo preferiu focar na saúde fiscal do Estado para dar uma alfinetada no histórico da oposição.

“Eu não vou reagir, eu vou os deixar discutirem. É normal que haja o debate na Assembleia. Nós fizemos uma proposta com claros objetivos, o Estado tem transparência na gestão, nós temos todos os nossos números. Temos tanta transparência e os nossos números são tão bons que nós temos crédito para tomar isso. Certamente, se estivesse no governo do PT, não teria crédito para nada”, ironizou Pivetta.

Corrida contra o relógio no plenário

Com a proximidade do período de restrições da legislação eleitoral, o governo tem pressa. A janela de votação pressiona os deputados a liquidarem a fatura até esta sexta-feira.

O presidente da Assembleia, Max Russi (Podemos), já avisou aos parlamentares que a aprovação do empréstimo a tempo dependerá do quórum em plenário e da capacidade de articulação da base aliada do governador para aprovar o requerimento de dispensa de pauta, atropelando os prazos normais de tramitação.

Lucas Bellinello

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