O deputado federal Emanuelzinho (PTB) questionou a forma com que o governador Mauro Mendes (DEM) tomou e anunciou a decisão de não concluir o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para a implementação do BRT (Bus Rapid Transit) em Cuiabá e Várzea Grande. Apesar de ser uma obra de responsabilidade do Estado, o parlamentar diz que os municípios e a bancada federal de Mato Grosso deveriam ter participado da definição.
"Apesar de envolver os dois maiores municípios do estado, o debate com os prefeitos não foi uma realidade e a imposição desse novo modelo foi comunicada em coletiva de imprensa no Palácio Paiaguás. Não é nenhuma novidade que as obras do VLT já se transformaram em uma verdadeira novela e que já passou da hora do estado se mover quando o assunto é este 'rasgo' que corta as duas cidades", questionou o deputado.
A decisão do governador em pedir a substituição foi anunciada na segunda-feira (21) e levou em conta estudos técnicos elaborados pelo Governo de Mato Grosso e pelo Grupo Técnico criado na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana. Os estudos concluíram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria até seis anos para conclusão, custosa aos cofres públicos, com pouca vantagem à população e ainda contaria com uma tarifa muito alta.
Emanuelzinho, no entanto, afirma que Mauro não ouviu os prefeitos Emanuel Pinheiro (MDB), de Cuiabá, e Lucimar Campos (DEM), de Várzea Grande, pois quer evitar discordância daqueles que sabem que esta operação pode impactar os cofres municipais. Declara que a implementação do BRT também envolve a construção e manutenção de estações, cumprimento de regras de qualidade de pavimentação, fiscalização do transporte e muito mais. Ressalta que quem vai pagar essa conta são os municípios. "Se seguirmos na lógica de 'terceirização' de gastos que o governo do estado está implementando na educação, com a tentativa de transferir creches que estão sob a gestão do estado para a administração municipal, os gastos com o dia a dia do BRT ficarão para as prefeituras, que hoje já estão lutando para superar a crise".
O deputado ainda diz que desde o início de seu mandato se colocou à disposição para buscar soluções junto aos envolvidos e trabalhar em prol da melhor solução para o problema do modal. Lembra que em 2019 propôs na Câmara dos Deputados a criação de uma Comissão Externa de Comissão Externa de Fiscalização e Transparência das Obras do VLT. "Mas a iniciativa foi boicotada por quem tinha interesses, já em 2019, na mudança do modelo de transporte para o BRT".