Dois integrantes de uma facção criminosa foram condenados a mais de 237 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de Rondonópolis (220 km de Cuiabá), nesta quinta-feira (30). Marcelo Lourenço da Silva e Wesley Musquim de Sousa receberam penas individuais de 118 anos e 6 meses de reclusão, pelos crimes de três homicídios triplamente qualificados, tortura, sequestro, cárcere privado qualificado contra 14 vítimas e integração a organização criminosa armada.
O julgamento contou com a atuação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), representado pelos promotores Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, integrantes do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri). Segundo a acusação, os réus participaram diretamente de uma série de crimes cometidos de forma organizada, com o objetivo de obter informações e manter o controle territorial por meio da intimidação.
De acordo com a sentença, Marcelo e Wesley integravam uma estrutura criminosa armada responsável por capturar vítimas, submetê-las a intenso sofrimento físico e psicológico e, em alguns casos, executar pessoas consideradas inimigas da facção. Para o promotor Fabison Miranda Cardoso, esse tipo de conduta afeta diretamente a segurança da comunidade e representa grave afronta ao Estado Democrático de Direito.
Três vítimas — Antônio José dos Santos Filho, Rennan do Nascimento Barreto e Talison Ferreira da Silva — foram assassinadas. O Conselho de Sentença reconheceu, em todos os homicídios, as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Para cada homicídio, os réus foram condenados a 30 anos de prisão, além de outras penas pelos demais crimes cometidos.
Somadas, as condenações resultaram em 118 anos e 6 meses de reclusão para cada um dos acusados, em concurso material. O promotor Eduardo Antônio Ferreira Zaque destacou que a pena é necessária para impedir que autores de crimes tão graves voltem a colocar a sociedade em risco e reafirma o compromisso do Estado com a proteção da vida e da ordem pública. As investigações apontam que outros cinco envolvidos ainda respondem a processos judiciais decorrentes do desmembramento da denúncia inicial.


