Lendo notícias sobre o sequestro das favelas e bairros periféricos pelas
milícias e facções criminosas, lembrei-me do texto do pastor luterano Martin
Niemoller, que, copiado da internet, reproduzo abaixo:
“Quando os nazistas levaram os comunistas,
eu calei-me,
porque afinal, eu não era comunista.
Quando prenderam os social-democratas,
eu calei-me,
porque afinal, eu não era social-democrata.
Quando levaram os sindicalistas,
não protestei,
porque afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus,
não protestei,
porque afinal, eu não era judeu.
Quando levaram-me,
não havia mais ninguém que pudesse protestar.”
Como adaptar o belo texto do Pastor Martin, para a realidade atual das favelas
e bairros da periferia das cidades brasileiras, dominados por bandidos e da
indiferença da classe alta e dos legisladores, ignorando o sofrimento das
vítimas?
Uma possibilidade imediata de plágio seria:
Quando obrigaram os moradores da favela a comprar, dos milicianos e
contrabandistas, gás, água e internet clandestina, não me alarmei.
Porque, afinal, eu não moro na favela.
Depois, começaram a cobrar “pedágio” dos habitantes dos bairros periféricos e
eu não fiz nada.
Porque, na verdade, nem conheço a periferia.
Em seguida, mesmo sabendo da exigência do pagamento de “taxa de
proteção” dos comerciantes, não me toquei.
Nem deveria; não sou comerciante.
Por fim, chegaram no centro onde vivo e ameaçaram com sequestros e mortes,
se não cooperasse com suas atividades ilegais. Amedrontado botei trancas nas
portas e, acuado como um animal frágil, fiquei encolhido em um canto. Vivi
enfim, a realidade dos bairros pobres, que por anos ignorei.
Meus vizinhos me viram derrotado, e ninguém fez nada. Nem podia, já era
tarde demais.
Renato de Paiva Pereira.
Foto Capa: Chat GPT