A publicação, em dezembro de 2025, dos editais para preenchimento de duas vagas de desembargador no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) deu início não apenas a um processo administrativo formal, mas também a uma intensa movimentação de bastidores entre magistrados da corte. As vagas decorrem de aposentadorias compulsórias e seguem critérios distintos, sendo uma por merecimento, com lista exclusiva de mulheres, e outra pelo critério de antiguidade.
A vaga por merecimento, aberta com a aposentadoria do desembargador Sebastião de Moraes Filho, atraiu 15 magistradas, todas com candidaturas deferidas. Estão na disputa: Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro; Ester Belém Nunes; Eulice Jaqueline da Costa Cherulli; Milene Aparecida Pereira Beltramini; Maria Mazarelo Farias Pinto; Gleide Bispo Santos; Mônica Catarina Perri Siqueira; Amini Haddad Campos; Ana Cristina Silva Mendes; Célia Regina Vidotti; Christiane da Costa Marques Neves; Tatiane Colombo; Ângela Regina Gama da Silveira Gutierrez Gimenez; Gabriela Carina Knaul de Albuquerque e Silva; e Adriana Sant’Anna Coningham.
A escolha caberá ao Tribunal Pleno, com base nos parâmetros fixados pela Resolução nº 106 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que avalia produtividade, presteza, aperfeiçoamento técnico e conduta funcional.
Nos corredores do Palácio da Justiça, porém, a avaliação é de que a disputa já tem uma favorita. Magistrados ouvidos reservadamente apontam a juíza Gabriela Carina Knaul de Albuquerque e Silva como o nome mais bem-posicionado para a escolha. Segundo esses relatos, ela conta com apoio do presidente do TJMT e do corregedor-geral da Justiça, além da ala feminina das desembargadoras, respaldo considerado decisivo em um colegiado que tradicionalmente valoriza o alinhamento institucional e a confiança da atual gestão.
Embora a votação seja pública e nominal, integrantes do tribunal ouvidos reservadamente admitem, sob reserva, que a construção de maioria costuma ocorrer antes da sessão formal, a partir de conversas individuais, históricos de convivência administrativa e leitura do cenário político interno. Nesse contexto, o apoio da cúpula tende a funcionar como sinalizador para outros desembargadores indecisos.
Ainda assim, a corrida não é tratada como definida, pois duas magistradas são citadas nos bastidores como nomes que correm por fora, mas com chances reais de surpreender. São elas Célia Regina Vidotti e Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro e ambas teriam a predileção de grupos específicos de desembargadores, especialmente entre os mais antigos, que valorizam trajetórias técnicas consolidadas e atuação discreta ao longo da carreira.
Segundo interlocutores do tribunal, esses apoios não se apresentam de forma organizada ou pública, mas se manifestam em conversas reservadas e sinais de preferência individual, o que poderia fragmentar a votação e tornar o resultado menos previsível do que aparenta à primeira vista.
A lista de candidatas inclui ainda outros nomes com forte atuação acadêmica, administrativa e jurisdicional, o que amplia o leque de possibilidades caso o Pleno opte por uma escolha menos alinhada à atual gestão.
Paralelamente à disputa por merecimento, o TJMT também publicou edital referente à vaga aberta pela aposentadoria do desembargador Sebastião Barbosa de Farias. Nesse caso, a promoção segue o critério de antiguidade e tem caráter essencialmente formal.
Pelo regramento interno, o juiz Sérgio Valério, integrante da primeira quinta parte mais antiga da magistratura estadual e o juiz mais antigo na Capital, foi indicado para ascender ao cargo. O edital prevê prazo para eventual recusa ou impugnação, mas, salvo reviravolta, a confirmação deve ocorrer em sessão administrativa do Tribunal Pleno.
A nomeação, no entanto, tende a ser breve. Sérgio Valério completa 75 anos em julho de 2026, pois completa a idade limite para permanência na magistratura, o que deve provocar nova vacância no segundo grau em poucos meses, mantendo aberto o ciclo de disputas e rearranjos internos. Ainda aposentarão esse ano os desembargadores Juvenal Pereira da Silva e Maria Erotides Kneip, sem contar com o futuro desembargador Sérgio Valério.
As movimentações atuais expõem um TJMT em transição, pressionado por aposentadorias sucessivas e pela aplicação simultânea de critérios técnicos, políticas de gênero e articulações políticas internas. Nos bastidores, a leitura é de que a escolha da próxima desembargadora servirá também como termômetro da força da atual gestão e do grau de coesão do Tribunal Pleno.


