Cidades

Diferente de Roraima, venezuelanos relatam calor humano vindo dos cuiabanos

Os refugiados da Venezuela que vivem em Cuiabá afirmam que foram bem recebidos e que não têm medo de conflitos com a população. O sonho de reconstruir a vida no Brasil é uma realidade para eles, como afirma a dona de casa Ligibeth Carolina Salazaron, de 33 anos, que está morando há 25 dias com o marido e três filhos na Pastoral do Migrante, no bairro Carumbé.

“Somos bem tratados, temos o que comer todos os dias e a oportunidade de recomeçar, só temos a agradecer pelo calor do povo cuiabano, isso ameniza a dor da saudade e o medo”. Ela acrescenta que só quem passou por um conflito sabe o que é fugir da fome e chegar a um lugar com cultura e língua diferentes.

“Viemos por acreditar que aqui é um país melhor, onde poderíamos oferecer uma boa vida à nossa família”. Ligibeth Caroline explica que passou por Roraima, mas preferiu seguir para Cuiabá, por causa do ‘acolhimento’. Animada, conta que o marido, Aquiles Daniel Amatima, 29 anos, conseguiu uma colocação como ajudante em uma empresa de carga e descarga, inclusive começou a trabalhar nesta segunda-feira (20), com ou sem frio ele foi.

“Ainda sofremos muito por saber que o resto da família enfrenta dias muito difíceis na Venezuela. Já a minha mãe e duas irmãs estão aguardando a possibilidade de vir de Manaus também para Cuiabá”. Ela se diz feliz, ao abraçar Angel, 4 anos, filho mais novo e serelepe, que durante a entrevista abocanhava um pão de café da manhã; os mais velhos – Franel, 14, e Aquiles, 10, – aproveitavam a manhã (estranhamente) fria da capital para dormir.

Feliz com o primeiro salário de ajudante na obra do novo shopping de Cuiabá, localizado na Avenida Miguel Sutil, Albert Estrada, 22 anos, diz que recebeu com surpresa e tristeza as dificuldades enfrentadas pelos venezuelanos em Roraima. Ele resolveu abandonar a faculdade de psicologia na capital Caracas para viver o sonho de morar no Brasil, isso já faz 1 ano. Apesar das dificuldades, ele não se arrepende.

“Já passei por Manaus, Porto Velho, Roraima, mas resolvi comprar uma passagem para ir até São Paulo, só que ao parar em Cuiabá gostei tanto que preferi ficar, é uma cidade maravilhosa, de gente ótima. Inicialmente uma família me ajudou e depois vim para a Pastoral. Não tenho do que reclamar, sou tratado com respeito e tenho uma boa perspectiva de futuro”, avaliou o jovem que por enquanto não pensa em retomar os estudos. “Quero trabalhar dia e noite, quero poder ajudar a minha família que ficou na Venezuela. Eles dizem que está 'tudo bem', mas a gente sabe que não está não”.

Estudante de Psicologia conseguiu emprego em obras do novo shopping em Cuiabá.
Estudante de Psicologia de Caracas conseguiu emprego em obras do novo shopping em Cuiabá

As barreiras com a língua não o impedem de fazer novos planos e novos amigos, aliás, o objetivo agora é avançar com o aprendizado da Língua Portuguesa e também se matricular em aulas de inglês. Sem celular depois que foi roubado em Porto Velho, lugar onde afirma ter conhecido 'pessoas ruins', ele se comunica com o pai, a mãe e uma irmã apenas pelas redes sociais (Facebook). “Minha mãe é espanhola e queria que eu fosse morar na Espanha, mas sei que por lá as coisas são difíceis também, então, como meu sonho sempre foi vir para o Brasil, porque sempre amei esse país, vou me manter aqui, confiante do meu sucesso”.

Suporte importante

Dois grupos chegaram a Mato Grosso em abril e maio deste ano, totalizando 99, uma parte ainda está abrigada na Pastoral do Migrante, no bairro Carumbé, em Cuiabá, a outra já conseguiu alugar casa ou trabalho na capital ou em municípios próximos, residem em fazendas de Santo Antônio de Leverger, Jaciara e Nova Ubiratã. Já um grupo que vive em Tangará da Serra (242 km de Cuiabá) contou com o apoio de um conterrâneo que mora no Brasil há mais de 30 anos.

Conforme a Pastoral, não há nenhum impedimento para que os refugiados possam migrar para o interior, desde que tenham carteira de trabalho regular e atuem de forma legalizada no mercado. Para se habilitar ao deslocamento, eles foram imunizados contra doenças, como sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela, difteria, tétano e coqueluche.

Roraima

Aproximadamente 1,2 mil venezuelanos cruzaram de volta a fronteira do país com o Brasil, após os incidentes no sábado (18) em Pacaraima, Roraima, quando moradores da cidade atacaram barracas e abrigos dos imigrantes, inclusive ateando fogo, depois que um comerciante local foi assaltado e espancado. Autoridades locais dizem não há registro de feridos entre os imigrantes.

A rodovia BR-174 chegou a ser bloqueada por algumas horas ao longo do fim de semana. Uma força-tarefa vai ser realizada para tratar da crise migratória na Venezuela. As famílias venezuelanas que decidiram retornar ao país natal conseguiram atravessar a fronteira em segurança e com a integridade física garantida, informou o Exército. (com informações G1)

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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