O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP-RR), afirmou nesta terça-feira, 6, que a situação na fronteira entre Brasil e Venezuela preocupa as autoridades estaduais. Ele alertou para o risco de colapso dos serviços públicos em caso de novo aumento do fluxo migratório.
“É uma preocupação muito grande. Se aumentar o fluxo de entrada de venezuelanos, o Estado de Roraima não tem condições e não tem capacidade para fazer o atendimento”, disse em entrevista à CNN Brasil.
Segundo Denarium, no pico da migração chegavam entre 1.500 e 2.000 venezuelanos por dia em Roraima. Nos últimos 30 dias, de acordo com ele, o fluxo recuou para uma média de 300 a 500 pessoas diariamente. Ainda assim, o governador afirmou que o cenário segue instável.
“Com esse ataque ocorrido, estamos vivendo um momento de muita preocupação e fazendo a observação”, declarou.
Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a dimensão do fenômeno migratório. Em 2010, havia 2.869 venezuelanos vivendo no Brasil. Em 2022, o número saltou para 271.514 – quase 94 vezes mais do que o registrado 12 anos antes. Em Roraima, os estrangeiros representam 12,84% da população, formada majoritariamente por venezuelanos.
Ao comentar possíveis cenários na Venezuela, Denarium avaliou que uma transição política pacífica poderia reduzir a pressão migratória, enquanto o agravamento do conflito teria efeito contrário.
“No meu entendimento, se houver uma transição pacífica, em que os Estados Unidos tenham o controle da situação, isso deve inibir a saída de venezuelanos para outros países. Se for uma transição em que haja resistência do regime de Nicolás Maduro, pode ocorrer uma guerra civil e aumentar a saída de venezuelanos”, afirmou.
Segundo Denarium, mesmo em períodos de fechamento oficial da fronteira, venezuelanos continuam ingressando no território brasileiro por rotas alternativas.
“Mesmo com a fronteira fechada, os venezuelanos utilizam rotas alternativas para entrar no Brasil. Então, a preocupação é muito grande pela nossa parte”, concluiu.
Os Estados Unidos (EUA) atacaram a Venezuela na manhã de sábado, 3, com bombardeios em Caracas e a prisão do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para os EUA, onde serão julgados pela Justiça de Nova York.


