O que começou como uma interrupção dramática em uma coletiva de imprensa transformou-se em um imbróglio jurídico de grandes proporções. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) emitiu uma nota contundente afirmando que a paciente Viviane Siqueira Santana mentiu ao acusar uma médica da rede pública de tentar vender o medicamento Mounjaro dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cuiabá.
A Acusação e o Recuo Político
Durante uma coletiva com o prefeito Abilio Brunini, Viviane alegou que recebeu uma proposta de compra da caneta emagrecedora sob a justificativa de que suas dores eram decorrentes da obesidade. O prefeito, de imediato, anunciou que registraria um boletim de ocorrência. Contudo, nesta quinta-feira (26), o próprio gestor admitiu que não há indícios de comercialização. A investigação interna sugere que houve apenas uma recomendação médica baseada na necessidade clínica da paciente, o que é um ato legítimo da profissão.
As Consequências Jurídicas para a Paciente
O CRM-MT não tratou o episódio como um simples equívoco. A instituição anunciou medidas rigorosas para proteger a imagem da categoria:
- Notificação Formal: Viviane será chamada a prestar esclarecimentos oficiais ao Conselho sobre as circunstâncias de suas falas.
- Acionamento Criminal: O Ministério Público e a Polícia Civil serão oficiados para investigar o possível crime de denunciação caluniosa.
- Proteção à Categoria: O CRM argumenta que denúncias “vazias e irresponsáveis” destroem a confiança da população e podem incitar violência física contra os médicos.
Críticas à Postura do Prefeito
A nota do Conselho reservou críticas ácidas à postura de Abilio Brunini. Para a autarquia, o prefeito agiu com precipitação ao validar uma denúncia grave em ambiente oficial sem qualquer verificação prévia. O CRM reforça que denúncias envolvendo a atuação médica devem ser tratadas com responsabilidade e encaminhadas pelos meios institucionais adequados, e não transformadas em espetáculo público que prejudica a imagem de terceiros.
O caso agora sai da esfera política e entra na jurídica, servindo como um alerta sobre a responsabilidade de se fazer acusações graves contra profissionais da saúde em Mato Grosso.



