O coronel da Polícia Militar Zaqueu Barbosa, envolvido no caso conhecido como ‘Grampolândia Pantaneira’, também entrou com pedido de reinterrogatório junto à 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Mato Grosso.
O coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco e o cabo Gerson Corrêa, réus no mesmo processo, também já havia pedido ao juiz Marcos Faleiros para serem reinterrogados e os pedidos foram deferidos. As oitivas estão agendadas para os dias 16 e 17 de julho a partir das 13h30.
Ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, é apontado como líder das escutas clandestinas operadas no âmbito da Polícia Militar.
A existência de suposta central clandestina de grampos telefônicos em Mato Grosso veio à tona no 11 de maio de 2017, quando o governo do Estado anunciou a exoneração do ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques. Sua saída foi anunciada como um acordo entre Paulo e seu primo, o governador Pedro Taques, para que o homem forte do Executivo deixasse o Palácio Paiaguás e cuidasse pessoalmente das investigações envolvendo a suposta “arapongagem”.
No dia 23 de maio, o juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal Especializada em Crimes Militares de Cuiabá, determinou a prisão preventiva do ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, que teria atuado não só como mandante, mas como o responsável por manter contato pessoal com magistrados para viabilizar a quebra de sigilo telefônico ilegal em Mato Grosso.
O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Golveia Junior – integrante do Núcleo de Inteligência da PM e teria assinado alguns pedidos de grampos à Justiça -, também foi preso.
O caso até então investigada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após denúncia do ex-secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), o promotor de Justiça Mauro Zaque, apontou que membros da Polícia Militar aproveitaram uma investigação relacionada ao tráfico de drogas na região de Cáceres (177 km de Cuiabá), para inserir números telefônicos de políticos adversários ao governo, médicos, advogados, jornalistas, servidores públicos e até desembargador aposentado de Mato Grosso, em um pedido de quebra de sigilo.
O requerimento para as interceptações teria sido encaminhado ao MPE, que por sua vez formalizou a solicitação à Justiça estadual. A autorização teria partido do juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, que não teria tido conhecimento de que nem todos os números relacionados pela PM estavam relacionados com o crime tratado no processo.
As escutas ilegais teriam começado no período das eleições de 2014, quando Silval Barbosa (PMDB) ainda era governador e Taques disputava as eleições. Em 2015, novos nomes foram incluídos nas escutas.
O depoimento de Zaqueu
O Coronel Zaqueu Barbosa prestou depoimento dia 27 de julho de 2018 ao juiz Murilo Mesquita, da 11º Vara Militar de Cuiabá.
Na oportunidade, ele chorou e contou que ganhou uma placa de escutas telefônicas do coronel Celso Barbosa e que consultou a assessoria jurídica da Polícia Militar se poderia ter o equipamento. Ele pediu ao coronel Evandro Lesco, para que cedesse o cabo Gérson Corrêa para analisar a placa de grampos.
Gerson teria avaliado a placa como precária, mas disse que serviria. O ex-comandante da PM alegou que o cabo afirmava que as escutas eram lícitas.
Os relatórios das interceptações dos policiais, feitas pelo cabo Gerson eram encaminhados para juiz de Cáceres através do e-mail pessoal de Zaqueu. Ele disse que a conta era irrelevante e, por isso, havia emprestado para que Gerson pudesse encaminhar os relatórios.
O coronel alegou que nunca pediu para incluir número de telefone nos pedidos de interceptações e afirmou que caso houvesse pedido teria que ser documentado.
Também declarou que nenhuma outra pessoa havia lhe pedido para colocar os números na lista de interceptação e que tomou conhecimento dos grampos ilegais quando estava de saída do Comando-geral da PM
Quando o ex-secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, disse que o governador e ele decidiram que Zaqueu deveria deixar o cargo após denúncias de interceptações ilegais.



