O deputado federal Coronel Assis (PL) saiu em defesa da recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas.
Em pronunciamento nas redes sociais, o parlamentar mato-grossense ironizou a reação do Palácio do Planalto, que criticou a medida americana sob a justificativa de risco à soberania nacional. Para Assis, a ação liderada pelo presidente Donald Trump ataca o ponto mais sensível do crime organizado contemporâneo: a lavagem de dinheiro.
“Onde está a invasão?”
As severas sanções econômicas americanas entraram em vigor na última quarta-feira (1º) e resultaram no bloqueio imediato de bens de dois cidadãos e três empresas com base no Brasil. Segundo o governo dos EUA, a rede é acusada de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) para o narcotráfico, utilizando operações sofisticadas com criptomoedas e fintechs.
Diante das reclamações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Coronel Assis questionou o tom de vitimismo institucional adotado pela diplomacia brasileira.
“Onde está a invasão? Cadê o ataque à soberania? Não desembarcou um soldado americano aqui em solo brasileiro. Não teve um tiro. O que teve, na verdade, foi asfixia financeira, conta bloqueada, empresa fora do sistema e dinheiro sujo travado. Porque é assim que se combate o crime organizado modernamente”, disparou o parlamentar.
Ameaça de um “Narco-Estado”
Com a bagagem de sua longa carreira na Polícia Militar de Mato Grosso, o deputado alertou que o PCC deixou de ser uma facção local para operar como uma verdadeira “multinacional do terror”. Segundo ele, a organização já possui ramificações estruturadas na Flórida (EUA), na Europa e no Japão, movimentando cifras bilionárias escondidas atrás de empresas de fachada.
Assis concluiu seu raciocínio com uma dura cobrança ao Executivo federal: “Soberania não é proteger facção de sanção estrangeira. [Soberania é] o Estado brasileiro ter coragem de chamar o terrorismo de terrorismo e sufocar o dinheiro deles antes que eles sufoquem o nosso Estado e transformem o Brasil num Narco-Estado”.
Na mira dos Estados Unidos
A primeira onda de sanções do governo norte-americano mirou diretamente o aparato logístico financeiro que sustenta o crime. Confira a lista dos alvos:
Brasileiros com bens e contas bloqueadas:
- Victor Henrique de Oliveira Shimada;
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
Empresas sancionadas e retiradas do sistema:
- Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda;
- Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda;
- Wave Construções Inteligentes Ltda.

