Com diploma um universitário em mãos, a artista visual estava disposta a encarar o trabalho em uma fábrica, mas logo conseguiu um emprego em sua área.
Mesmo ainda se adaptando à cultura e aprendendo o idioma, afirma com convicção que não pretende mais voltar ao Brasil: "Quero morar aqui para sempre".
Norika Jo da Silva, 38, também chegou ao país há pouco tempo. Ela e o marido Irineu desembarcaram há menos de um mês para atuarem como psicólogos em uma organização sem fins lucrativos, a Sabja (Serviço de Atendimento aos Brasileiros no Japão).
Esta é a segunda vez que a brasileira vive no arquipélago. A primeira foi entre 1996 e 1999. "Na época, trabalhei em fábrica, porque queria fazer um pé de meia para comprar uma casa e começar um negócio próprio", conta.
Desta vez, o casal foi sem prazo para voltar, e seu filho também irá para o Japão em breve. "Nosso objetivo agora é conhecer melhor o país e a cultura", diz.
Retorno
Daniela e Norika não são as únicas. Em 2015, a comunidade brasileira no país voltou a crescer, após ter encolhido ano a ano, desde a crise econômica de 2008.
Em seis anos, mais de 150 mil brasileiros retornaram ao Brasil. Até 2014, muitos brasileiros já haviam entrado novamente no Japão, mas o número de saídas ainda superava o de chegadas.
A comunidade brasileira diminuía, em média, cerca de 2 mil pessoas por ano, com picos entre 2009 e 2011, segundo dados do Ministério da Justiça do Japão.
No entanto, nos três primeiros meses deste ano, a comunidade teve um pequeno – mas relevante – crescimento de 2.625 brasileiros, e a tendência, segundo especialistas no mercado consultados pela BBC Brasil, é aumentar cada vez mais por causa da alta produtividade da indústria japonesa.
"O Japão vai começar inclusive a importar mais mão de obra barata da Ásia", diz Adriano Okamoto Grohmann, de 46 anos, que trabalha em uma fábrica e é membro da Nagoya Fureai Union, entidade que luta por direitos de trabalhadores.
Para ele, nestes 25 anos de movimento decasségui, a única área em que quase não houve evolução foi a trabalhista. Ele diz que os órgãos japoneses que deveriam fiscalizar e defender o trabalhador fazem vista grossa. "Quando defendemos na Justiça algum caso, percebemos que eles fazem de tudo para não reconhecer que o estrangeiro está certo", critica.
Entre os principais problemas trabalhistas, ele cita os contratos de curta duração, o não pagamento das férias e a demissão de grávidas.
"Realmente, sobram empregos, mas os abusos continuam, e ninguém protege o trabalhador estrangeiro", afirma Grohmann, que resolveu se naturalizar japonês para tentar garantir seus direitos.
Fonte: BBC BRASIL