A geografia política de Mato Grosso pode estar prestes a ganhar um novo contorno. No último sábado (21), a Fazenda Bom Futuro serviu de palco para a apresentação de um projeto audacioso: a criação de Gilmarlândia, um núcleo urbano que pretende se tornar o 143º município do estado. A proposta é liderada pelo produtor rural Eraí Maggi e conta com um padrinho de peso no nome e na presença: o ministro do STF, Gilmar Mendes.
A Lógica da “Cidade-Fazenda”
Mais do que uma homenagem, o projeto fundamenta-se em uma necessidade logística do agronegócio moderno: a retenção de talentos. Maggi argumenta que a distância entre as cidades atuais e as frentes de trabalho compromete a qualidade de vida das famílias e a eficiência da produção. A ideia é criar uma infraestrutura de suporte — com hospitais, escolas, clubes e até um lago artificial para turismo — que elimine o isolamento do trabalhador rural.
Articulação de Alto Escalão
A viabilidade do projeto foi discutida diante de uma plateia que reflete o peso da iniciativa. Estavam presentes:
- Otaviano Pivetta (Vice-governador);
- Max Russi (Presidente da ALMT);
- Fábio Garcia (Secretário-chefe da Casa Civil).
O ministro Gilmar Mendes, natural de Diamantino, endossou a visão, destacando a importância de criar núcleos que ofereçam dignidade e estrutura urbana para quem move a economia do estado. Ele reconheceu, contudo, que a jornada é complexa e exige um alinhamento rigoroso entre as esferas política e jurídica.
O Roteiro da Emancipação
Para que “Gilmarlândia” deixe de ser um projeto de fazenda e se torne uma prefeitura, o caminho é técnico:
- Criação de Distritos: O passo inicial prevê a instituição de dois distritos administrativos vinculados a São José do Rio Claro e Diamantino.
- Estudos de Viabilidade: Será necessária a comprovação de sustentabilidade econômica e densidade populacional.
- Crivo Legislativo: A Assembleia Legislativa precisará dar o aval final após a análise dos marcos regulatórios estaduais e federais.
O projeto de Eraí Maggi não foca apenas em asfalto e energia, mas em criar um senso de pertencimento. Ao integrar lazer e serviços essenciais no coração da produção agrícola, Gilmarlândia pode se tornar o protótipo de uma nova era de cidades planejadas pelo setor produtivo em Mato Grosso.



