A montagem do palanque da esquerda em Mato Grosso para as eleições de 2026 vive um momento de definições sensíveis. O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) emergiu como o principal defensor de uma tese clara: a segunda vaga ao Senado, na chapa encabeçada pelo ministro Carlos Fávaro (PSD), deve ser ocupada por uma mulher filiada ao PT. A estratégia visa não apenas garantir a representatividade, mas também manter a hegemonia petista dentro da Federação Brasil da Esperança.
A Dança das Cadeiras: O Caso Graciele O plano original de Lúdio sofreu um revés tático. Sua aposta principal era a professora Graciele, ex-vereadora de Sinop e figura em ascensão no PT. No entanto, sua recente filiação ao PCdoB — partido que integra a mesma federação, mas possui autonomia própria — mudou a equação. Lúdio foi sincero ao classificar a mudança como uma “perda” para o PT, embora reconheça que, eleitoralmente, ela continua somando ao projeto maior da esquerda.
O Avanço de Edna Sampaio Com a vacância do “nome de preferência”, o foco de Lúdio se deslocou para Edna Sampaio. A ex-vereadora por Cuiabá já colocou seu nome à disposição e, na visão do deputado, possui as credenciais necessárias para a tarefa. A defesa de Lúdio é pragmática: o PT precisa ocupar esse espaço para fortalecer a base de apoio ao governo federal no estado e equilibrar a chapa com uma perspectiva feminina e combativa.
O Obstáculo Pedro Taques O grande “elefante na sala” das articulações é o ex-governador Pedro Taques (PSB). Recém-filiado ao Partido Socialista Brasileiro, Taques busca retomar o protagonismo político ocupando justamente a vaga cobiçada pelo PT. No entanto, dois fatores pesam contra ele:
- Fricção Histórica: O racha entre Taques e Carlos Fávaro é público e notório. Os dois, que já foram aliados próximos, não se falam há anos, o que torna a convivência em um mesmo palanque um desafio diplomático quase impossível.
- Resistência de Lúdio: O deputado petista foi enfático ao afirmar que respeita a candidatura de Taques, mas que continuará combatendo-a em favor de uma candidatura feminina e orgânica do PT.
A Decisão Final O desfecho desta queda de braço não depende apenas de Cuiabá. A palavra final passará pelo crivo de Carlos Fávaro, que busca a reeleição e quer um companheiro de chapa que agregue votos sem gerar desgaste, e pelas direções nacionais da Federação (PT/PCdoB/PV). O que está em jogo é o desenho da esquerda mato-grossense para a próxima década: se ela seguirá apostando em nomes tradicionais ou se abrirá caminho para a renovação representada pelas mulheres do partido.


