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“Comando C4”: grupo ligado à morte de Zampieri entra na mira de Moraes e tinha tabela para executar ministros

O grupo extremista autodenominado “Comando C4” (Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos) passou a ser investigado no inquérito das milícias digitais do Supremo Tribunal Federal (STF), conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. A organização criminosa ganhou notoriedade após ser desarticulada nas investigações do assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá.

A revelação sobre o cerco do STF consta em um recurso do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O órgão tenta reverter a decisão da 12ª Vara Criminal de Cuiabá que negou a prisão preventiva de Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mário Jorge Bucater — todos denunciados por envolvimento direto na estrutura que vitimou o jurista.

O “celular bomba” e o compartilhamento de provas

A descoberta do alcance do Comando C4 é um dos desdobramentos da Operação Sisamnes. A devassa ocorreu a partir da análise do celular de Zampieri, que revelou um vasto esquema de venda de sentenças em diversos tribunais do país, articulado pelo lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.

Responsável pelo caso Sisamnes no STF, o ministro Cristiano Zanin identificou a periculosidade e o viés da organização e ordenou o compartilhamento imediato das evidências com o gabinete de Alexandre de Moraes.

“No que concerne à mencionada investigação acerca da existência de milícia digital, foi determinado pelo eminente Ministro do STF Cristiano Zanin o compartilhamento das provas amealhadas e sua remessa ao eminente Ministro Alexandre de Moraes em face da existência de inquéritos conexos que tratam do mesmo tema”, destacou o MPMT no recurso.

Núcleo duro e conexões políticas

O Ministério Público contesta o entendimento da Justiça estadual de que Peterson, Salézia e Mário exerciam apenas funções secundárias. Para os promotores, o trio era peça fundamental para a engrenagem do Comando C4, operando tanto na logística de assassinatos quanto na blindagem para impedir a identificação dos mandantes dos crimes.

O assassinato de Zampieri escancarou o modus operandi da milícia. O executor confesso, Antônio Gomes da Silva, admitiu ter recebido R$ 40 mil pelo serviço. O esquema contou com a participação operacional do coronel aposentado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e de Hedilerson Fialho Martins Barbosa.

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o suposto financiador do crime, o empresário Aníbal Manoel Laurindo, teria conhecido o coronel Caçadini em 2023, durante mobilizações em acampamentos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A “Tabela da Morte” do C4

Com o aprofundamento da Polícia Federal na sétima fase da Operação Sisamnes, o cenário se revelou ainda mais obscuro. O Comando C4 não era um grupo amador: tratava-se de uma organização estruturada, dotada de armamento de alto poder ofensivo, rígida divisão de tarefas e atuação profissional voltada para homicídios por encomenda.

Mensagens e documentos apreendidos chocaram os investigadores ao revelar que a milícia possuía uma “tabela de preços” pré-fixada para a execução de alvos, escalonada pelo nível de poder das vítimas:

  • Pessoas comuns: R$ 50 mil;
  • Deputados: R$ 100 mil;
  • Senadores: R$ 150 mil;
  • Ministros do Poder Judiciário: R$ 250 mil.

Lucas Bellinello

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