Um coletivo estudantil formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público Federal (MPF) relatando supostas ameaças de violência física e porte de armas contra integrantes da comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O material foi divulgado publicamente nesta quinta-feira (22) pelo Coletivo Para Todos Mato Grosso, após receber capturas de tela de conversas por meio de denúncias anônimas.
Segundo a organização estudantil, as mensagens teriam partido de participantes ligados à organização de um ato político de apoio ao pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), realizado no campus da UFMT na última sexta-feira (16). A manifestação pública reuniu cerca de 40 pessoas, número abaixo do esperado pelos organizadores, o que, conforme a denúncia, teria gerado uma escalada de frustração e ameaças de retaliação.
Trechos das conversas e tentativa de ocultação
As capturas de tela revelam diálogos explícitos sobre o planejamento de atos violentos dentro do ambiente universitário. Em um dos trechos destacados pelo coletivo, um usuário escreve: “amanhã teremos uma nova missão”. Na sequência, outro integrante responde: “não esquecem o canivete”, ao que um terceiro complementa: “Nao sei se a gente pega pra bater nos alunos ou nos professores”.
Em outro trecho da conversa, o tom de ameaça evolui para menção a armas de fogo. Uma pessoa afirma: “Minha arma está no carro até hj!”, e recebe a instrução direta de um colega: “amanhã fica com ela na cintura por favor”, obtendo como resposta “pode deixar”.
Posteriormente, o autor da mensagem original altera o registro ao perceber a repercussão, editando a palavra “arma” para “espátula” e justificando: “Mudei, pq se vaza pra quem não estava lá…”.
Cobrança por segurança e posicionamento institucional
Diante da gravidade do teor das conversas, o Coletivo Para Todos Mato Grosso encaminhou todo o acervo probatório ao Ministério Público Federal para que sejam identificados os autores das mensagens e tomadas as providências legais cabíveis. A organização também exigiu da Administração Superior da UFMT e das forças de segurança a adoção imediata de medidas enérgicas de proteção para salvaguardar estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados que circulam pelo campus.
No comunicado, o grupo reforçou que a universidade deve preservar seu papel histórico como espaço de pluralidade, debate democrático e livre circulação de ideias, rechaçando qualquer tentativa de intimidação: “A violência nunca será método de disputa em nosso espaço”, declarou o coletivo.
A reportagem buscou contato com o Ministério Público Federal para confirmar o registro formal da denúncia e verificar a abertura de procedimento investigatório, além de acionar a assessoria da UFMT para obter um posicionamento oficial da instituição acerca das supostas ameaças de violência.





