Mix diário

Centenas de pessoas marcharam em silêncio para homenagear vítimas de incêndio em bar na Suíça

Centenas de pessoas marcharam em silêncio neste domingo, 4, para homenagear as vítimas do incêndio na véspera de Ano Novo em um bar na estância alpina suíça de Crans-Montana, que deixou 40 mortos e muitos feridos graves.

Enlutados com semblante sombrio, muitos com os olhos vermelhos, saíram em silêncio após a missa de uma hora na Capela de São Cristóvão em Crans-Montana. Alguns trocaram abraços, outros aplaudiram, antes de se juntarem à marcha até o bar Le Constellation, no alto da colina.

‘Eles foram lá para festejar’

“Acredito que, diante dessa tragédia, devemos nos lembrar de que somos todos irmãos e irmãs na humanidade”, disse Véronique Barras, uma moradora local que conhece famílias enlutadas. “É importante nos apoiarmos mutuamente, nos abraçarmos e seguirmos em frente rumo à luz.”

Cathy Premer contou que sua filha estava comemorando seu aniversário de 17 anos no dia 31 de dezembro quando ligou de madrugada dizendo que estava presa porque o Le Constellation estava isolado por uma corda.

“Para os jovens – mas até para os adultos – é difícil entender coisas que parecem inexplicáveis”, disse ela. “Eles foram lá para festejar, é um destino popular para o dia 31 de dezembro, é um lugar muito festivo, havia pessoas de muitas nacionalidades… e tudo se transformou em uma tragédia.”

Em meio à multidão, Paola Ponti Greppi, uma italiana de 80 anos que possui uma casa em Crans-Montana, pediu por inspeções de segurança em bares. “Precisamos de mais segurança nesses lugares, porque este não é o único lugar assim. Por que a prefeitura não fez as inspeções adequadas? Para mim, isso é terrível.”

Durante a missa, o padre Gilles Cavin falou sobre a “terrível incerteza” das famílias que não sabem se seus entes queridos estão entre os mortos ou se ainda estão vivos entre os feridos.

“Não há palavras suficientemente fortes para expressar a consternação, a angústia e a raiva daqueles que foram afetados em suas vidas hoje. E, no entanto, estamos aqui, reunidos, porque o silêncio por si só não basta”, disse ele.

Maioria das vítimas eram jovens
Quarenta pessoas morreram e 119 ficaram feridas no incêndio que começou por volta de 1h30 da manhã de quinta-feira no bar Le Constellation . A polícia informou que muitas das vítimas tinham entre 13 e 25 anos.

Na manhã de domingo, 4, as autoridades suíças identificaram 24 das 40 vítimas fatais. Entre elas, estão:

18 cidadãos suíços com idades entre 14 e 31 anos;
2 italianos de 16 anos;
1 cidadão com dupla nacionalidade italiana e dos Emirados Árabes Unidos, também de 16 anos;
1 romeno de 18 anos;
1 francês de 39 anos;
1 turco de 18 anos.

Uma das vítimas foi Arthur Brodard, de 16 anos. “Nosso Arthur agora partiu para festejar no paraíso”, disse Laetitia Brodard, visivelmente abalada, em um story do Facebook publicado na noite de sábado. “Podemos começar nosso luto, sabendo que ele está em paz e na luz.”

A busca de Brodard por seu filho refletia o desespero das famílias dos jovens desaparecidos durante o incêndio, que não sabiam se seus entes queridos estavam mortos ou no hospital.

As autoridades suíças afirmaram que o processo de identificação das vítimas foi particularmente difícil devido à gravidade das queimaduras, exigindo o uso de amostras de DNA. Brodard também forneceu sua amostra de DNA para auxiliar no processo de identificação.

Em sua publicação no Facebook, ela agradeceu àqueles que “demonstraram sua compaixão e seu amor” e àqueles que compartilharam informações enquanto ela buscava ansiosamente por notícias de seu filho. Outros pais e irmãos ainda aguardam em angústia.

As autoridades suíças abriram uma investigação criminal contra os gerentes do bar. Os dois são suspeitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio criminoso, disse a procuradora-chefe da região de Valais, Beatrice Pilloud, a jornalistas no sábado. O anúncio da investigação não divulgou os nomes dos gerentes.

Investigadores disseram na sexta-feira que acreditam que velas acesas sobre garrafas de champanhe iniciaram o incêndio ao se aproximarem demais do teto do bar lotado.

As autoridades planejavam investigar se o material de isolamento acústico no teto estava em conformidade com as normas e se o uso de velas no bar era permitido. Os oficiais disseram que também analisariam outras medidas de segurança no local, incluindo extintores de incêndio e rotas de fuga.

O presidente suíço, Guy Parmelin, anunciou um dia de luto nacional pelas vítimas em 9 de janeiro. A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, afirmou que 17 pacientes receberam tratamento na França, de um total de 35 transferidos da Suíça para cinco países europeus. Outros pacientes seriam transferidos para a Alemanha, Itália e Bélgica.

Estadão Conteudo

About Author

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Você também pode se interessar

Mix diário

Brasil defende reforma da OMC e apoia sistema multilateral justo e eficaz, diz Alckmin

O Brasil voltou a defender a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) em um fórum internacional. Desta vez, o
Mix diário

Inflação global continua a cair, mas ainda precisa atingir meta, diz diretora-gerente do FMI

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva disse que a inflação global continua a cair, mas que deve