A crescente presença de vendedores ambulantes no centro de Cuiabá tem gerado tensão entre comerciantes informais e lojistas. Nesta semana, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Cuiabá) encaminhou um ofício à Prefeitura solicitando medidas contra o comércio informal, alegando que as barracas dificultam o acesso de clientes aos estabelecimentos e prejudicam a competitividade do setor formal.
Diante da possibilidade de uma operação de retirada das barracas e confisco de mercadorias, os ambulantes estão apreensivos. Muitos já reforçaram a atenção para evitar perdas financeiras inesperadas. “É uma sensação delicada e que deixa todos em estado de alerta. Entendemos o outro lado, mas também dependemos do comércio para sobreviver”, afirmou um vendedor informal que preferiu não se identificar.
O presidente do Sindicato dos Camelôs de Mato Grosso (Sincamat), Augusto Ferreira da Silva, reconhece que a situação exige uma solução e defende uma abordagem conciliatória. Segundo ele, há cerca de 350 ambulantes atuando na região central e uma reorganização, como a redução do número de barracas, poderia minimizar os conflitos. “É preciso trabalhar de forma conjunta para organizar o centro da cidade. Infelizmente, no atual cenário, todo mundo perde”, destacou.
Para os lojistas, além de atrapalhar o fluxo de consumidores, a informalidade representa concorrência desleal, pois os ambulantes não pagam impostos nem fornecem notas fiscais, conseguindo vender produtos a preços mais baixos. “Essa situação compromete a competitividade e a arrecadação municipal, além de afetar o desenvolvimento do comércio, que é a grande força econômica de Cuiabá”, argumentou Junior Macagnam, presidente da CDL Cuiabá.
Diante da polêmica, a Prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre eventuais ações contra os ambulantes. No entanto, o impasse entre comércio formal e informal reacende um debate recorrente em várias capitais do país: o equilíbrio entre o direito ao trabalho e a necessidade de organização do espaço público.