Prefeito ironiza Emanuel Pinheiro, diz que “pai dessa obra é muito feio” e afirma que não tem interesse em comparecer à cerimônia de inauguração.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o novo Mercado Municipal Miguel Sutil não será inaugurado antes da emissão do Habite-se, documento que certifica a conclusão da obra e autoriza a ocupação do imóvel. “Não tem inauguração sem Habite-se. Ela não está concluída e não tem o documento. A gente tem que aguardar toda a comprovação documental”, pontuou.
Provocado sobre a fala de que “um pai não pode faltar ao nascimento do filho” — referência ao ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), que idealizou o projeto —, Brunini foi irônico: “O pai dessa obra é muito feio” e o gestor anterior “não se comportou muito bem”, disparou. Questionado diretamente se comparecerá à cerimônia de inauguração, foi enfático: “Se o ‘pai da obra’ vai estar lá, eu não tenho interesse de ir, não.”
O prefeito também atribuiu o ritmo acelerado das obras às suas próprias críticas públicas, invocando a “psicologia reversa”. “Eu fico falando: ‘não faz essa obra’. Aí ele vai lá e faz. O cara acelerou a obra em 300% depois que eu falei que não queria que fizesse”, declarou.
Brunini foi além e antecipou que, após a conclusão e regularização do empreendimento, o município pretende acionar a Justiça para retomar o controle do espaço, atualmente concedido à empresa CS Mobi. “Parabéns, que termine a obra. Porque depois a gente vai entrar na Justiça para tomar essa obra para nós”, ameaçou.
A concessão está vinculada ao estacionamento rotativo no Centro de Cuiabá, contrato firmado por Emanuel Pinheiro no qual a CS Mobi se comprometeu a revitalizar o antigo mercado em troca do direito de cobrar estacionamento nas ruas. Logo que assumiu, Brunini tentou romper o contrato. O prefeito acusa o modelo de concessão de pressionar os feirantes tradicionais, que enfrentam aluguéis de boxes estimados em até R$ 20 mil mensais. O caso já motivou a abertura de uma CPI na Câmara Municipal para investigar supostas irregularidades e a falta de transparência nos prazos e nas taxas cobradas pela concessionária.

