Por: Cátia Alves/ Diego Frederici
O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo interino de Michel Temer (PMDB), Blairo Maggi, afirmou querer alcançar “o fim da pobreza rural”. A declaração ocorreu em reunião do G20 – grupo que reúne os chefes de Estado das 20 maiores economias do mundo mais a União Europeia – ocorrida no início deste mês em Xi’an, na China. Foi a primeira participação de Maggi como representante do Brasil num evento do grupo desde que assumiu o MAPA.
Em seu discurso, Blairo, que junto com sua família é considerado um dos maiores produtores de soja no mundo, declarou que para alcançar o fim da pobreza rural é preciso “investir em estratégias que garantam o desenvolvimento econômico dos pequenos e médios agricultores”. De acordo com dados do antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário, extinto por Michel Temer, a agricultura familiar é responsável por 75% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.
O Ministro da Agricultura, que na condição de senador relatou o Projeto de Emenda à Constituição 65/2012, que derruba a obrigatoriedade de apresentação de licenças ambientais para obras públicas, também defendeu que a produção agropecuária deva ter “impactos mínimos nos biomas naturais”, afirmando que o Brasil “possui orgulho da sustentabilidade de sua agricultura”. Ele disse ainda que o Brasil pode “duplicar” a produção anual de grãos – que hoje é em torno de 200 milhões de toneladas – “sem novos desmatamentos”.
Blairo Maggi disse ainda que a “agricultura brasileira não para de crescer” e que os investimentos estrangeiros são “benvindos principalmente para a infraestrutura de transporte e armazenamentos voltados às cadeias globais de valor da agricultura”. Por fim, a despeito da crise institucional vivida pelo Brasil nos últimos meses, Maggi disse que “boas práticas de governança encorajam os fluxos de investimentos”.
Visitas agendadas
O ministro da Agricultura da Rússia, Alexander Nicolayevich Thachyov, aceitou o convite do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (Mapa), Blairo Maggi, para conhecer a agricultura brasileira, em novembro, e discutir temas bilaterais. Os russos têm interesse em vender pescados e trigo para o Brasil. O ministro da Agricultura da China, Han Changfu, recebeu convite para conhecer a produção agrícola brasileira. A data ainda será marcada.

Entidades da agricultura apostam em Maggi
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT) está otimista com o ex-governador no MAPA. De acordo com o presidente da entidade que reúne os principais produtores de grãos do Estado, Endrigo Dalcin, Maggi é “um nome que surgiu e é muito adequado”. Ele afirma ainda que o governo Michel Temer se apresenta num “novo paradigma” e espera avanços na pasta tendo à frente alguém que é “do setor da agricultura”.
“O governo Michel Temer surgiu como uma proposta de mudança de paradigma. Maggi é um nome muito adequado e que tem todas as qualidades para exercer tal função, pois já foi governador e senador”, disse.
Outra associação que considerou “positiva” a nomeação de Blairo ao MAPA foi a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (FAMATO). De acordo com o seu presidente, Rui Prado, “além da vivência no campo, Maggi é um líder político preparado para assumir o MAPA e contribuir ainda mais com o desenvolvimento da agropecuária brasileira”.
A Confederação Nacional da Indústria (CNA) também se posicionou favorável ao novo chefe do Ministério da Agricultura. Durante almoço na sede da instituição no dia 18 de maio, em Brasília, seu presidente, João Martins, entregou um exemplar do documento “Propostas para a evolução do setor agropecuário”. Blairo se comprometeu a apoiar medidas “da porteira para fora, como os investimentos em logística, em especial ferrovias e transporte fluvial, para facilitar o escoamento de grãos”.
“MAPA só discute política empresarial”, diz Fetagri
Nem todos os setores do campo, entretanto, enxergam com bons olhos a nomeação de Blairo Maggi ao MAPA. Num momento em que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) passa a ser, agora, “Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário”, os trabalhadores do campo aguardam com apreensão quais serão as políticas públicas que serão mantidas pelo presidente em exercício Michel Temer.
Questionado sobre os novos rumos da política brasileira, e da chegada de Maggi ao MAPA, o secretário de políticas agrícolas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Mato Grosso (FETAGRI-MT), Adão da Silva, mostrou preocupação ao afirmar que “o mais importante dessa história para nós é a extinção do MDA. O que será das políticas públicas implementadas por ele? Não nos interessa que a estrutura do MDA vá para o MAPA, uma vez que ele existe para atender os interesses dos empresários”.
De acordo com dados do próprio governo federal, a agricultura familiar é responsável por 75% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros – área da economia e abastecimento predominantemente disciplinada pelo antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Nesse sentido, Adão afirma que as lideranças da pasta que foi extinta “não podem perder a autonomia” e que até agora nada de concreto foi estabelecido para as famílias do campo.
“Não podemos perder a autonomia. Definitivamente o MAPA não nos interessa. Até agora a única coisa que ouvi foi bastante conversa”.
Na opinião do produtor é mais oportunidade para Mato Grosso
Em 2015, Mato Grosso liderou o ranking do Valor Bruto da Produção agropecuária (VBP) do Brasil. O Estado é consolidado como um dos principais polos brasileiros de produção agropecuária e gerou com lavouras e pecuária R$ 62,37 bilhões no ano passado. Os dados são da Coordenação-Geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do MAPA.
Para o produtor de Mato Grosso a expectativa em relação a Blairo como ministro da agricultura é grande. O produtor Osvaldo Pasqualotto, do município de Rondonópolis, vê em Blairo a oportunidade que Mato Grosso estava precisando. “Além de ele [Blairo] ser um grande empresário e senador, ele é produtor também e conhece como ninguém as dificuldades de Mato Grosso. Ele veio para nosso Estado há mais de trinta anos e passou por todas as dificuldades que nós também passamos”, pontuou.
As expectativas de Pasqualotto giram em torno da Política de Preço Mínimo que faz com que o produtor tenha uma renda mínima e que, segundo ele, pode vir a acontecer agora com Maggi como ministro. “Acredito que o Blairo tem tudo para implantar essa politica ou ajudar a implantar. Nossa esperança é que o setor produtivo do nosso Estado e as entidades como a Aprosoja, Famato, Ampa e outras devem ajudá-lo a implantar. Temos a oportunidade ímpar de isso acontecer e trazer benefícios para todos os brasileiros”, sugeriu.
Sobre Maggi ter declarado que seu ministério precisa atuar para diminuir os custos da produção e que isso só será possível se houver uma política efetiva de regulação de preços, Pasqualotto reagiu: “A politica do preço mínimo beneficia desde o pequeno até o grande produtor e me parece que o Blairo está voltado para ajudar o pequeno produtor. Ajudando o pequeno, o médio e o grande se enquadram. Não pode haver distinção entre os produtores, pois todos têm que ser ajudados. Inclusive a agricultura familiar”.


