O Banco Central decretou ontem a liquidação extrajudicial do banco digital Will Bank, que estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro do ano passado, quando foi decretada a liquidação do Banco Master, que controlava a operação da instituição.
No Raet, o banco passa a operar sob o comando de um conselho diretor indicado pelo BC, mas mantém os negócios ativos enquanto é reestruturada. Na prática, é uma saída para ganhar tempo até se encontrar uma solução de mercado.
O Will Bank havia sido preservado diante da avaliação de que os seus problemas poderiam ser revertidos e de que haveria compradores interessados, o que não se confirmou, segundo o BC. Desde 2025, antes mesmo da liquidação do Master, aconteciam tratativas para venda do banco digital.
Na avaliação do BC, a liquidação foi necessária após o Will Bank não honrar pagamentos à operadora de cartão de crédito Mastercard. Na terça-feira, a operadora parou de aceitar compras feitas por cartões de crédito do Will Bank e decidiu executar as garantias ligadas às dívidas do banco digital. Com a decisão, a bandeira de cartões se tornou acionista do BRB e na loja de móveis Westwing. Isso porque, entre as garantias que o Will Bank deu à Mastercard, estavam participações do Banco de Brasília e na varejista.
De acordo com o BC, a medida anunciada ontem considerou o “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição”. “Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira (Will Bank), em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master, já sob liquidação extrajudicial”, diz o BC.
HISTÓRICO
O Will Bank foi fundado em 2020 para oferecer serviços bancários e investimentos a um público que estava fora do sistema tradicional dos bancos, com foco na região Nordeste do País. A fintech, cuja base de clientes é de baixa renda (classes C, D e E), foi comprada pelo Master em agosto de 2024. À época, Daniel Vorcaro, dono do Master, via o negócio como uma forma de seu banco crescer fora do segmento de crédito consignado, onde já atuava, por meio do Credcesta.
O Will Bank tem cerca de R$ 6,5 bilhões em depósitos que entram na conta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação, a conta a ser paga pelo FGC no caso Master deve aumentar dos atuais R$ 40,6 bilhões para um número próximo de R$ 47 bilhões, o maior valor da história.
O conglomerado Master era classificado como de porte pequeno pelo BC, por deter apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).


