Um pote de leite materno doado tem a capacidade de alimentar até 10 recém-nascidos. Isso significa que, dependendo do peso da criança, 1 ml de leite já é o suficiente para nutrir um bebê por um tempo. Essa é uma informação do Banco de Leite Humano, localizado no Hospital Geral de Cuiabá, que recebe cerca de 47 litros de leite mensalmente e visa promover o aleitamento materno, na busca por mais mulheres que possam doar qualquer quantia de leite para ajudar quem precisa.
Diante do mês "Agosto Dourado", período instituído pela Lei 13.435/2017 para promoção da conscientização e esclarecimentos sobre a importância do aleitamento materno, o Circuito Mato Grosso visitou no 2° andar do prédio do Hospital Geral o local reservado que recebe e cuida do leite doado por mulheres. A mãe que doa ali, o que é preferível, se higieniza em uma sala, coloca uma camisola e em outro ambiente, com poltronas, ela se senta e promove a extração manual do líquido.
O leite é colocado em vidros esterilizados, fornecido pelo hospital, e é destinado a um laboratório, dentro do Banco de Leite Humano, onde o leite passa por um aquecimento em uma temperatura de 63,5°C durante 20 minutos e logo depois é resfriado. Isso é chamado de “pasteurização”, um processo de esterilização do alimento.
Feito o processo, é realizado uma análise microbiológica, ou seja, uma parte de cada leite doado é submetido a um procedimento que verifica se o conteúdo não desenvolveu nenhum tipo de bactéria. Acontece vez ou outra, mas não é algo relacionado diretamente ao corpo da mãe, mas alguma falha técnica no armazenamento ou a exposição a uma temperatura inadequada, por exemplo, pode promover o desenvolvimento da bactéria.
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(Foto: Juliana Alves)
Marcus Vinícius de Carvalho, é nutricionista, trabalha no Hospital Geral há 15 anos, mas somente há três no Banco de Leite Humano. Ele explica que o leite nem sempre é colhido diretamente no Banco, mas as doadoras já levam o material pronto. Por isso, caso seja evidenciado a presença da bactéria mais de uma vez da mesma doadora, eles verificam a procedência do conteúdo e vão conversar com a mulher e conscientiza-la sobre a importância da conservação do leite.
Somente após todos esses procedimentos que o leite é destinado aos bebês que precisam, de preferência os que estão internados na UTI Neo Natal (Unidade de Tratamento Intensivo destinada a bebês nascidos prematuros).
Marcus Vinicius explica que o leite materno pode fazer muita diferença na vida de uma pessoa. Auxilia no desenvolvimento neuromotor, cognitivo, um sistema digestório preservado, entre outros.
Questionado sobre os motivos de uma mãe não conseguir alimentar o seu bebê e ele precisar do Banco de Leite, o nutricionista explicou que toda mulher é preparada fisiologicamente para amamentar, mas há muitos fatores que podem acabar gerando dificuldades nesse processo, como até mesmo a falta de apoio da família. Emoções afetam a lactação. “Amamentar não é apenas oferecer a mama”, diz o médico.
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(Foto: Juliana Alves)
O profissional aponta que é necessária uma conscientização sobre a doação de leite materno em Mato Grosso, estado que está entre os piores na captação de leite. Ele cita como exemplo a cidade de Brasília, que arrecada quase mil litros de leite mensalmente, enquanto em Mato Grosso são cerca de 400 litros mensal doanos nos três Bancos de Leite Humano do estado. Além do Hospital Geral, há no Júlio Müller, em Cuiabá, e na Santa Casa de Rondonópolis.
“A doação é muito importante e as mães não tem essa prática. Tem mãe que prefere jogar o leite no banheiro, na hora do banho, que o leite está saindo e ela perde, do que entrar em contato com a gente e doar”.
No Hospital Geral de Cuiabá, há 47 doadoras cadastradas atualmente, sendo doado cerca de 47 litros de leite mensalmente. O percentual de recém nascidos que estão internados na UTI Neo Natal que recebem o Leite HUmano é de 60%. Esses 400 litros de leite arrecadados por todo o estado ajuda várias crianças, conforme declarado por Marcus Vinicius. Há crianças que são alimentadas a cada duas horas com até mesmo 1 ml de leite, outras com dois e assim por diante.
“Depende da criança a quantidade que ela vai receber. O estômago dela é muito pequeno, então ela acaba recebendo o mínimo várias vezes. 300 ml de leite já atende muitas crianças, mas mesmo assim os 400 litros não são suficientes”.
O nutricionista explica que quanto mais doadores, melhor. “Tem mãe que chega aqui e acha que o que estão doando é pouco, mas qualquer quantidade é sempre bem vinda. Já ajuda muito a doação de 100 ml. O leite faz a diferença, é a vida que aquela criança vai receber”.
Seja uma doadora
Caso a mulher queira ajudar, ela deve entrar em contato com o Banco de Leite Humano, pessoalmente ou por telefone, e demonstrar interesse. Marcus esclareceu que após esse primeiro contato, técnicas do hospital vão visitar a doadora e explicar como é feito o procedimento e como deve ser armazenado o conteúdo. Eles também entregam os frascos que o leite deve ser guardado.
A doadora deve ter alguns cuidados na hora de coletar o material, como por exemplo, com a higiene. Ela deve usar touca ou lenço para cobrir os cabelos. Deve usar uma fralda de pano ou máscara sobre o nariz e a boca. Sempre lavar as mãos e os braços até o cotovelo com água e sabão, além de lavar as mamas apenas com água e secar tudo com uma toalha limpa.
Após a coleta de leite, a data e a hora do procedimento devem ser anotados na tampa do recipiente, que será levado imediatamente ao freezer ou congelador. Sempre com o frasco fechado.
O leite extraído deve ficar no freezer ou congelador por até 10 dias. Nesse período ele deve ser levado até o Banco de Leite Humano.
Qualquer dúvida basta entrar em contato com o Banco de Leite Humano do Hospital Geral no telefone (65) 3363-7035 ou na Rua 13 de Junho, 2101 – 2º andar, no Centro de Cuiabá. Mais informações também podem ser encontradas no https://hg.cuiaba.br/banco-de-leite/.
Caso não seja da Capital, procure o Banco de Leite da sua cidade ou entre em contato com o Disque Saúde no 136.
A Lei
Sancionada pelo ex-presidente, Michel Temer (MDB), a lei 13.435/2017 institui o mês de agosto como o "Mês do Aleitamento Materno", ou seja, é uma época em que as ações intersetoriais de conscientização são intensificadas. A lei garante a realização de palestras, eventos, divulgação de material, reuniões com as comunidades, ações de divulgação em espaços públicos, além de iluminação e decoralção dos espaços com a cor dourada, para ressaltar de debater a importância do aleitamento materno.
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