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Baixo desemprego pode dificultar substituição da jornada reduzida em Mato Grosso, aponta estudo

Um dos maiores desafios para as empresas dos setores de comércio e serviços em Mato Grosso diante do possível fim da escala 6×1 é a disponibilidade de trabalhadores no mercado. O estado já registra uma das menores taxas de desemprego do país, com índice de apenas 2,4% no quarto trimestre de 2025, o que representa cerca de 50 mil pessoas desocupadas, segundo dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio-MT, a adaptação para uma jornada semanal de 36 horas com escala 4×3 exigiria a contratação de aproximadamente 122 mil novos trabalhadores apenas para compensar a redução das horas trabalhadas. Desse total, seriam necessários cerca de 66,4 mil profissionais no comércio e 55,7 mil no setor de serviços.

Além da pressão sobre o mercado de trabalho, o estudo também aponta possíveis reflexos nos preços ao consumidor. Uma análise da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que, caso 40% dos trabalhadores que hoje atuam acima de 40 horas semanais migrem para o novo regime, o aumento de custos pode provocar um choque de preços de até 24% no comércio em Mato Grosso.

Em um cenário considerado menos crítico, no qual as empresas apenas compensariam as horas trabalhadas sem ampliar contratações, o impacto anual seria estimado entre R$ 53 milhões e R$ 153,8 milhões. Nesse caso, o reflexo nos preços ao consumidor seria de aproximadamente 1,1%, embora o modelo possa não atender às necessidades de atendimento ao público e à dinâmica de funcionamento de muitas empresas.

Para o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, mudanças desse tipo precisam considerar as diferentes realidades do setor. Segundo ele, qualquer alteração na legislação trabalhista deve priorizar a negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores, garantindo segurança jurídica e evitando impactos desproporcionais na competitividade das empresas, na continuidade das operações e na geração de empregos.

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