Sandra Carvalho/ Bruna Gomes
Andando pelo Bairro Pedra 90 é forte o cheiro de pneu queimado e ainda sai fumaça do ônibus incendiado na noite de sexta-feira (10). Um fiscal de ônibus, que preferiu não se identificar, informou ao Circuito Mato Grosso que este é o terceiro ataque na região.
Abalados com o incêndio, os moradores estão com medo de falar sobre o assunto. O incêndio ocorreu por volta das 20h desta sexta-feira (10), no ponto final do Pedra 90. Segundo relatos, o fogo atingiu o teto da estrutura do terminal e por pouco não atinge os próprios fiscais.
Residentes da região que estavam reunidos em um bar afirmaram que não perceberam a movimentação e se atentaram apenas quando o fogo já tomava conta de um ônibus da empresa Norte Sul. "Foi muito rápido. Não escutamos nenhum barulho", declarou um morador.
Os outros dois atos de vandalismo registrados no Pedra 90 ocorreram em janeiro de 2015, com ônibus da linha 705 e 721. Os incêndios teriam ligação com o crime organizado, que também estaria envolvido em outros 12 ataques à ônibus nos municipios de Sorriso, Peixoto de Azevedo e Sinop.
Entenda o caso
Na noite desta sexta-feira (10) foram incendiados cinco veículos em diferentes pontos de Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com a polícia, ataques a ônibus ocorreram no bairro Pedra 90, Jardim Vitória e Praeiro. Uma moto e um veículo de passeio foram incendiados na região do Jardim das Américas e a casa de um agente penitenciário foi crivada de balas no Jardim Eldorado.
Vários vídeos e áudios foram divulgados pelas redes sociais, e teriam sido gravados supostamente por criminosos envolvidos nos atentados. Os ataques teriam sido liderados de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE) pelo assaltante Reginaldo Aparecido Brito, condenado há 18 anos por crimes de roubo.
Um dos homens que teria divulgado vídeos com ameaças foi preso já estaria na Centra de Flagrantes do Planalto. Pelo menos 100 policiais militares foram colocados na rua por conta as ações criminosas e a polícia já teria inclusive reforçado a segurança do governador Pedro Taques. A Secretaria de Segurança Pública está preparando um balanço oficial sobre os ataques desta sexta-feira (10).
A reação dos presidiários, que começou com motim no final da tarde na PCE, teria sido motivada pela suspensão das visitas dos familiares por conta da greve dos servidores públicos pelo pagamento do RGA. A greve foi considerada ilegal pelo desembargador Alberto Ferreira de Souza no dia 3 de junho. Apesar da liminar apontar multa diária de R$ 100 mil, os servidores da saúde decidiram pela manutenção do movimento alegando dinheiro em caixa para arcar com o ônus.
A última contraproposta do Governo do Estado foi apresentada ontem e consiste no pagamento de 6% apresentados anteriormente em três parcelas de 2% em setembro, janeiro e abril, além do retroativo à maio, data base dos servidores.
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