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Assassinatos de 9 pessoas após morte de PM muda rotina de Belém

Um dia após os assassinatos de 9 pessoas ocorridos após morte de um PM nesta terça-feira (4), o clima na cidade ainda era de insegurança. As ruas estavam vazias, as paradas de ônibus com poucos passageiros e estabelecimentos de diversão, como bares, tinham poucos clientes.A rotina mudou após o cabo da PM Antônio Figueiredo, 43, ser morto por volta das 19h30 de terça em uma rua perto de sua casa, no bairro Guamá. Mensagens começaram a circular na internet ‘convocando’ policiais para uma ‘limpeza’. Poucas horas depois, outras nove pessoas foram assassinadas em seis bairros de Belém. Vídeos e áudios com supostas trocas de tiros foram divulgados na web, e a população ficou assustada com a violência.

A empresária Naishila Macedo, proprietária de um bar na Cidade Velha, conta que assim que começaram a circular nas redes sociais informações sobre a morte do PM Antônio Figueiredo, os clientes foram embora e ela precisou fechar o estabelecimento mais cedo.Ela conta que na noite da última quarta (5) o bar estava vazio, o que, segundo ela, não ocorre normalmente durante a semana. "A partir das 20h a casa está cheia porque muita gente vem para curtir o jazz da quarta-feira, mas hoje não tem ninguém", lamenta.Para garantir a segurança nas ruas da capital, a Polícia Militar reforçou o efetivo. Além de intensificar as rondas nos bairros do Guamá e Terra Firme, 120 policiais a mais trabalharam em cada turno.

No terminal de passageiros da Universidade Federal do Pará, nenhum passageiro transitava durante a noite. Os ônibus chegavam e permaneciam estacionados no final da linha. A UFPA cancelou todas as atividades na quarta-feira para evitar que os estudantes voltassem tarde para casa."Nos dias normais é bem movimentado, muito estudante chegando e voltando, mas hoje isso aqui parece feriado", conta o cobrador de ônibus Osvaldo Freitas.Nas ruas dos bairros da Terra Firme e Guamá, dois dos locais onde ocorreram os assassinatos, também não havia movimento.

Entenda o caso
Nove pessoas foram assassinadas na noite de terça-feira (4) em seis bairros de Belém, após o cabo da Polícia Militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo, 43, ser assassinado a tiros perto da rua onde morava, no bairro do Guamá.Os corpos das pessoas que morreram durante a madrugada de quarta (5), em Belém, foram liberados pelo Instituto Médico Legal após reconhecimento de familiares. Uma das vítimas foi Eduardo Galucio Chaves, 16 anos.

A namorada do adolescente, Leonice Viana, disse que estava com o rapaz quando ele foi assassinado. "A gente foi na casa da avó dele, e fomos abordados por várias pessoas encapuzadas. Mandaram eu soltar a mão dele e ir embora. Eu comecei a agarrar ele e me puxaram pelo braço. Foi na hora que aconteceu, que mataram ele", desabafa.

O bombeiro Valmir Fonseca também reconheceu o corpo do filho adotivo Alex dos Santos Viana, que foi assassinado no bairro do Sideral. "Me espantei com o disparo. Foram pra mais de 30 tiros. Os meliantes que fizeram isso passaram de moto", disse.Os casos estão sendo investigados pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil para verificar a relação entre eles. Pelo menos seis mortes têm características de execução.

G1

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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