Um arquiteto morreu após ser baleado na terça-feira, 1º, ao tentar intervir em um assalto na Rua Desembargador Armando Fairbanks, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Jefferson Dias Aguiar estava em uma caminhonete Montana quando viu uma mulher sendo roubada por um motoqueiro – que teria levado o celular e a aliança da vítima, com apoio e vigilância de um cúmplice. O caso foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte).
As imagens das câmeras de segurança mostram que, na sequência da abordagem à mulher, um dos assaltantes manobra a moto pela calçada para fugir do local. É quando o arquiteto joga o veículo em sua direção. O cúmplice inicialmente havia fugido em outra direção, rumo à Marginal do Pinheiros.
O criminoso então se levanta e atira três vezes contra a cabeça do motorista. De acordo com a polícia, um dos tiros atingiu as costas da Jefferson, perto da região da nuca. O atirador foge na sequência, auxiliado pelo cúmplice.
Ainda segundo as informações preliminares, os suspeitos teriam conseguido escapar pulando o muro de um estacionamento, que ficava ao lado de uma obra. Buscas chegaram a ser iniciadas no local, até com apoio da GCM, sem sucesso.
De acordo a Polícia Militar, a dupla havia realizado outros assaltos na região antes da abordagem que resultou na morte. A motocicleta que acabou atingida pela Montana, uma Honda Titan azul, era furtada. A polícia ainda apura se Aguiar tinha a intenção de atropelar o ladrão. A vítima foi levada ao Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), em estado gravíssimo, e não resistiu. O caso foi encaminhado para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
De acordo com informações da CNN, Jefferson se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Anhembi Morumbi e, até 2018, compartilhava em suas redes sociais publicações sobre sua empresa, a “Baba Arquitetura”. No Facebook, Jefferson destacou imagens do casamento, há dois anos. Além da arquitetura, demonstrava interesse por viagens e ciclismo.
ESTATÍSTICA
A região do Butantã registrou 102 roubos em fevereiro deste ano (um a mais do que no mesmo mês do ano passado), segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Já os furtos saltaram 36,6% na região no mesmo período: foram 209 casos contabilizados no distrito em fevereiro, ante 153 no mesmo mês do ano passado.
Conforme números divulgados anteontem, na contramão da queda de roubos e furtos, os homicídios dolosos subiram 11,6% em fevereiro na capital: de 43 para 48, segundo dados divulgados na segunda-feira, 31, pela secretaria. Por outro lado, o número de latrocínios (roubos seguidos de morte), que tiveram aumento expressivo no ano passado, recuou de seis para cinco, em tendência que se repetiu no restante do Estado.
Em nota, a SSP afirmou que, com cerca 8,5 mil ocorrências, os roubos chegaram ao menor patamar para o mês na cidade desde 2011. “A maior redução foi vista na área da 1ª Delegacia Seccional, responsável pelo centro da cidade, com declínio de 30,5%”, diz a pasta.
Os registros de estupro também aumentaram na cidade em fevereiro: foram de 220 para 243 casos registrados alta de 10,5%. No caso, a secretaria afirma que o combate a crimes de violência contra a mulher tem sido uma prioridade.
FALSOS ENTREGADORES
De acordo com autoridades policiais, os assaltos na zona oeste são praticados normalmente por ladrões de moto ou de bicicleta. Em alguns casos, eles se passam por “entregadores” de aplicativos de delivery.
Mais do que o próprio aparelho celular, a facilidade de transferência via Pix por meio de aplicativos de instituições bancárias atrai a atenção dos ladrões para os telefones, usados para dar golpes.
No mesmo bairro do Butantã, um homem de 46 anos foi morto a tiros durante uma tentativa de roubo em um ponto de ônibus na Rodovia Raposo Tavares, no fim de fevereiro. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o haitiano Ariol Elvariste foi atingido no tórax e morreu no local.
Testemunhas relataram que dois assaltantes chegaram em uma moto vermelha e abordaram a vítima. Elas descrevem a abordagem como um arrastão, uma vez que os ladrões tentaram roubar várias pessoas que estavam no local.
Parte das abordagens nos assaltos também ocorre na porta de escolas ou do comércio, para aproveitar a vítima distraída e o telefone desbloqueado. Para Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a maior circulação de armas também está por trás de parte do aumento nos crimes violentos.
Em fevereiro, outro caso de repercussão foi a morte do ciclista Vitor Medrado, de 46 anos, baleado no pescoço durante assalto perto do Parque do Povo, no Itaim-Bibi, zona sul da cidade. Câmeras de segurança mostram que a vítima foi alvejada antes de esboçar qualquer reação.
A Polícia Civil prendeu uma suspeita de fornecer equipamentos, como motocicletas, capacetes e armas, para criminosos que realizam assaltos na capital, além de ter prioridade na receptação dos itens roubados. Conhecida como Mainha do Crime, ela foi apontada como financiadora de crimes cometidos nas zonas sul e oeste. Além dela, dois suspeitos de serem os autores do latrocínio que vitimou o ciclista foram presos pela polícia.
“Estou aliviada (com as prisões)”, afirmou ao Estadão a viúva do ciclista, a enfermeira Jaquelini Santos, de 40 anos. Depois da morte do marido, ela se mudou para o interior do Estado com medo da violência. “Podia ser qualquer pessoa ali (no local do crime). Foi aleatório, parece uma roleta-russa o tempo todo.”


