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Aprosoja Brasil diz que escassez de diesel compromete andamento da safra de grãos

A Aprosoja Brasil manifestou preocupação com a interrupção no fornecimento de diesel a propriedades rurais em meio à colheita da soja e ao plantio do milho segunda safra. Em nota, a entidade afirmou que a situação ocorre em momento crítico do calendário agrícola e pode comprometer operações no campo, pressionar custos e afetar a logística de escoamento da produção.

O alerta ocorre após relatos de cancelamento de entregas de combustível a produtores rurais no Rio Grande do Sul desde a última sexta-feira (6). A Federação da Agricultura gaúcha (Farsul) e a Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz) já haviam denunciado o problema no fim de semana, em momento de forte demanda por diesel para o funcionamento de máquinas agrícolas e o transporte da produção.

No cenário de fundo, a escalada das tensões no Oriente Médio levou o preço do petróleo a superar os US$ 100 o barril e elevou a defasagem do diesel vendido pela Petrobras no mercado interno a um recorde de 85%. Diante do temor de que a estatal não repasse os preços internacionais, agentes de mercado suspenderam importações, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Os estoques atuais garantem o abastecimento por cerca de 15 dias, de acordo com a entidade.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou mais cedo que recebeu relatos de dificuldades pontuais de aquisição de diesel no Estado, mas afirmou que o Rio Grande do Sul possui estoques suficientes para o abastecimento regular. “Não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto”, disse a ANP, acrescentando que equipes técnicas estão realizando verificações e que distribuidoras serão notificadas a prestar esclarecimentos.

Para a Aprosoja Brasil, a restrição de oferta abre espaço para práticas abusivas. “A entidade alerta para o risco de oportunismo por parte de fornecedores que, diante da escassez, podem elevar preços de forma abusiva”, afirmou a associação, destacando que esse movimento pressiona os custos de produção, encarece o transporte e pode resultar em inflação de alimentos. A entidade também apontou a fragilidade estrutural do setor: apesar de o Brasil ser grande exportador de petróleo bruto, o mercado ainda depende de importações para suprir parte da demanda de diesel.

Diante do cenário, a Aprosoja Brasil defendeu a aceleração da agenda de biocombustíveis. “É urgente avançar no aumento da mistura de biodiesel, reduzindo a dependência externa, e ampliar o uso do etanol na matriz energética, inclusive no transporte de cargas e em máquinas agrícolas”, afirmou. A Aprosoja pediu ainda “ação imediata das autoridades para restabelecer o abastecimento, coibir práticas abusivas e fortalecer a segurança energética do agronegócio brasileiro”.

Estadão Conteudo

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